Alunos são eliminados do Enem por tirar foto da prova

As redes sociais foram destaque no primeiro dia de provas do Enem deste ano. O Ministério da Educação (MEC) retirou da sala 37 estudantes que fotografaram provas e cartões de resposta e publicaram no Twitter ou no Instagram. Pelas normas do exame, é proibido utilizar quaisquer dispositivos eletrônicos, sob o risco de ser eliminado do concurso.

EQUIPE AE, Agência Estado

03 de novembro de 2012 | 19h53

De manhã, boatos de que o Enem havia sido cancelado ganharam o Twitter. A hashtag #Enem2012Cancelado alcançou o 4.º lugar dos Trending Topics mundiais por volta de 11h. Segundo o MEC, o usuário Chora Minha Nega (@gui_pangua) foi o responsável por espalhar a informação falsa. O dono do perfil, que se identificou como Guilherme, disse ao Estadão.edu que "apenas foi na onda" e também postou hashtags sobre o cancelamento da prova que estavam sendo publicados desde a madrugada. "Não acho justo o MEC me responsabilizar." A Polícia Federal investiga o caso.

Além desses incidentes, o MEC não registrou ocorrências graves neste sábado. Houve queda de energia em alguns prédios do no campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte. A falha durou 20 minutos. O mesmo problema foi detectado em outros dois locais.

Neste domingo, segundo dia de provas, os estudantes deverão responder a questões sobre Linguagens e Códigos e de Matemática, cada uma com 45 questões, além de elaborar uma redação. Os candidatos farão o exame entre 13h e 18h30. Mais de 5,7 milhões de pessoas estão inscritas este ano.

Prova

No primeiro Enem após a aprovação da Lei de Cotas nas universidades federais, a prova de Ciências Humanas, com 45 questões de múltipla escolha, perguntou sobre Martin Luther King, defensor dos direitos civis dos negros americanos, e sobre o legado dos povos africanos na cultura brasileira. Os estudantes também fizeram 45 testes de Ciências da Natureza neste sábado, entre 13h e 17h30, horário de Brasília.

A capacidade de interpretar textos foi bastante exigida dos candidatos na parte de Ciências Humanas. Algumas perguntas utilizaram trechos de obras dos filósofos Immanuel Kant, Charles de Montesquieu e Jürgen Habermas. Outras eram baseadas em fragmentos de reportagens jornalísticas.

Enquanto sobrou texto, faltaram gráficos. Só uma questão trazia um mapa, por exemplo. Outra tinha um quadrinho do Capitão América no qual ele batia em Adolf Hitler. A pergunta queria saber sobre qual fato histórico aquela cena se referia.

Na parte de Ciências da Natureza caíram perguntas sobre água, bem-estar da população, fotossíntese e geração de energia. Em uma das questões, a prova apresentava um terreno e perguntava qual tecnologia de geração de eletricidade seria ideal naquela área.

Um quadrinho do Garfield foi utilizado para perguntar sobre doenças. Outro destaque da prova foi a quantidade de questões de química orgânica e de cinemática.

"As questões de biologia e química estavam até mais fáceis do que a parte de Humanas. Só tinha texto enorme", afirmou Hérica Patrocínio, de 22 anos, que prestou o exame no câmpus da Uninove na Barra Funda, zona oeste de São Paulo.

A estudante Mariana Moura, de 17, também reclamou da prova de Humanas. "Os textos estavam muito cansativos", disse. "E precisava estar afiado para acertar as questões de química." Ela fez o Enem na UniPaulistana, na Vila Mariana, zona sul.

Para a candidata Karine Brás, de 17, a quantidade de textos era "excessiva", mas os textos não eram tão longos como disseram outros estudantes. "Em duas horas dava para finalizar a prova."

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