Amargo 70% vai parar na vitrola

Em roteiro por Berlim, diferentes abordagens chocolateiras levam a disco prensado em versão bem amarga, ovo tradicional recheado de marzipã, tabletes finíssimos de chocolate de origem e lembrança de barra doce soviética

ROBERTO ALMEIDA , ESPECIAL PARA O ESTADO / BERLIM, O Estado de S.Paulo

21 Março 2013 | 02h14

A Páscoa em Berlim pode ser medida pela quantidade de coelhos de chocolate, pelos cheirosos marzipãs vendidos em formato de minibatatas, pelos ovos (de galinha) coloridos e pelo ritmo acelerado de Christoph Wohlfarth, que só respirou para tirar um compacto da prateleira e colocar na vitrola.

Ich will keine Schokolade!, canta a divertida Trude Herr, no clássico do suingue alemão de 1959. Ich will lieber einen Mann!, desata no refrão. Enquanto ela avisa que não quer chocolate e que, sim, prefere um bom rapaz, Wohlfarth ri com a própria piada, recém-prensada. O compacto 45 rotações girando na vitrola é feito de chocolate, com 70% de cacau para garantir resistência à agulha.

A doce alegria embala a pequena produção na novidadeira chocolateria Wohlfarth Schokolade, em Prenzlauer Berg. A seleção de títulos (15 euros cada um) é pequena e passeia por nomes do a capella, colecionados com afinco pelo chocolateiro. Em seu acanhado ateliê, a música serve como guia pela simplicidade dos sabores de seu chocolate.

Wohlfarth só tirou da fôrma seu primeiro praliné, com um equilibrado recheio de marzipã com laranja, na semana passada, depois de caprichar na produção artesanal dos ovos de Páscoa. Dentro das casquinhas brancas, ele despejou chocolate para comer com colher (4 euros cada uma). Para quem encomendar, ele vende por dúzia, com caixa de ovos e tudo. "Eu priorizo a massa do cacau e algum bom sabor. É essencial que o cacau seja orgânico. Uso celulose nas embalagens e nunca plástico. Agora, meu sonho é fazer o processo todo, do grão do cacau à barra", disse, ates de voltar à produção.

Onde. Choriner strasse, 17, Prenzlauer Berg; www.wohlfarth-schokolade.de

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