Amazônia ainda não tem estratégia de defesa, diz Mangabeira

De acordo com o ministro, o projeto para a região florestada é organizar um manejo sustentável

Ana Luísa Westphalen, Agência Estado

26 de maio de 2008 | 13h38

A principal meta do ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, na coordenação do Plano Amazônia Sustentável (PAS) será desenvolver "uma estratégia de zoneamento para a Amazônia com floresta e outra para a Amazônia sem floresta", declarou nesta segunda-feira, 26, à Rádio Eldorado. "Vamos acabar com essa ficção de haver uma guerra entre ambientalistas e desenvolvimentistas. Esse não é o problema. O problema é que nós ainda não formulamos as medidas necessárias nem para defender a floresta, nem para desenvolver a Amazônia", avaliou.   Veja também: Ouça a entrevista de Mangabeira Unger para a Rádio Eldorado  Grandes Reportagens: Amazônia    De acordo com o ministro, o projeto para a região florestada é organizar um manejo sustentável que tenha por base um regime tributário e regulatório, "capaz de assegurar que a floresta em pé valha mais do que a floresta derrubada". Já para a zona desmatada, Mangabeira pretende traçar as bases de uma agricultura de alto valor agregado, com intensificação da pecuária e indústrias que transformem produtos agropecuários e produtos minerais.O coordenador do PAS declarou ainda que acredita na relação entre a taxa de desemprego e o desmatamento das florestas nativas: "A Amazônia não é apenas uma coleção de árvores, é também um grupo de pessoas, e se os brasileiros que moram lá não tiverem oportunidades econômicas serão inexoravelmente levados a atividades desordenadas que produzirão o desmatamento". Sobre a criação de uma guarda nacional para atividades de preservação, Mangabeira considerou precipitado se posicionar, mas adiantou que discute formas de repressão a atividades criminosas. Ele destacou também a necessidade de organizar uma trajetória acelerada para promover a regularização fundiária, classificando a Amazônia como "um caldeirão de insegurança jurídica". O ministro informou que não defende mudanças na legislação, apenas ajustes para promover a regulação de propriedades.

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