Amazônia registra queda de 51% do desmate

Dados do sistema de detecção do governo correspondem ao período de agosto de 2009 a fevereiro deste ano

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2010 | 00h00

A Amazônia registrou um desmatamento de 1.352 quilômetros quadrados de floresta entre agosto de 2009 e fevereiro de 2010. O índice é 51% menor do que o registrado entre agosto de 2008 e fevereiro de 2009: 2.781 quilômetros quadrados.

"Foi uma redução de uma marca que já havia caído de forma significativa, quando comparada com anos anteriores", disse a ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente) ao comentar os dados do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), divulgados ontem.

Para ela, os números apresentados pelo Deter indicam que o País cumprirá antes do planejado a meta assumida na Convenção do Clima, em dezembro. "Números preliminares mostram que foram desmatados 7 mil quilômetros quadrados em 2009." Com novos índices coletados, a expectativa do ministério é de que muito rapidamente o País consiga reduzir o desmatamento para a marca de 6,5 mil quilômetros quadrados anuais - algo que estava previsto para ser atingido apenas em 2015.

Fevereiro. Comparando somente o mês de fevereiro, porém, em 2010 o índice foi 29% superior ao mesmo período de 2009. O ministério atribuiu o aumento às mudanças meteorológicas, com redução da área coberta de nuvens, o que permite captação melhor das imagens pelo Deter. A expectativa é de que nos próximos meses os índices apresentem uma ligeira elevação - tanto pela melhora das condições meteorológicas quanto pela chegada da seca, quando cresce a atividade de desmate.

Em fevereiro, a área de cobertura de nuvens na Amazônia foi de 57%. Nessa região encoberta, o Deter não consegue verificar se houve desmatamento. Em fevereiro de 2009, a área de cobertura de nuvens foi maior, 80%.

Os dados também mostram que o Deter detectou em janeiro 23 quilômetros de desmatamento. No mês, 69% da área analisada estava coberta por nuvens. Em dezembro, dados não foram divulgados porque toda a área estava encoberta. "A dispersão das nuvens começou na área de Mato Grosso, onde hoje há uma atividade menor de desmatamento", diz o diretor de Políticas de Combate ao Desmatamento do ministério, Mauro Pires.

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