AMD vai terceirizar produção de chips para combater Intel

Reestruturação vai reduzir dívidas e permitirá combater a concorrente com mais força

David Lawsky, REUTERS

07 de outubro de 2008 | 16h49

A fabricante de chips AMD anunciou na terça-feira que terceirizará suas dispendiosas fábricas, receberá uma injeção de caixa e reduzirá dívidas para competir de maneira mais forte contra a Intel, rival de maior porte e líder do setor.  Duas empresas estatais de investimentos de Abu Dhabi estão apoiando a reestruturação. Uma delas investirá pelo menos 5,7 bilhões de dólares na cisão das fábricas e a outra vai comprar mais de 300 milhões de dólares em ações e outros papéis da AMD. Wall Street estava esperando há meses que a AMD, empresa que vem enfrentando dificuldades, formulasse planos para dividir a empresa, adotando uma estratégia definida como "ativos inteligentes" cujo objetivo seria permitir que a companhia investisse mais em desenvolvimento de chips e menos nas caras fábricas. "Hoje é um dia histórico para a AMD, com a criação de uma empresa financeiramente mais forte e com foco mais definido", afirmou Dirk Meyer, presidente-executivo da companhia, em comunicado. A nova Foundry Company, que controlará as fábricas, assumirá o 1,2 bilhão de dólares em dívidas das operações de produção da AMD, de modo que a porção restante da companhia possa competir de forma mais dura contra a Intel, que vende cerca de 80 por cento dos microprocessadores de PCs que estão em operação no mundo. A AMD responde pela parcela restante. A AMD sempre enfrentou dificuldades diante de sua rival de maior porte e nos últimos anos vem sendo forçada a ponderar se o orgulho de ser proprietária de suas unidades de produção, que a maioria das demais produtoras de chips transferiu anos atrás, vale a pena. A AMD perdeu mercado desde que seu chip Barcelona, dirigido a computadores pessoais de ponta e servidores, começou a enfrentar problemas, e passou por solavancos depois de adquirir a fabricante de chips gráficos ATI. A Comissão Européia está acusando a Intel de ter pago ilegalmente fabricantes e varejistas de computadores para que estes não vendessem máquinas equipadas com chips AMD. A companhia Advanced Technology Investment Company (ATIC), de Abu Dhabi, terá metade dos assentos do conselho de administração e deterá 55 por cento da Foundry Company, nome temporário da parte que ficará com as fábricas da AMD. A AMD terá o restante e os números da nova empresa estarão no balanço da AMD. A nova empresa de 3 mil funcionários fará todos os chips da AMD e também processadores de outras companhias. A ATIC investirá inicialmente 2,1 bilhões de dólares, pagando 700 milhões de dólares diretamente à AMD. Depois disso, ela investirá um adicional de 3,6 bilhões a 6 bilhões de dólares na nova companhia durante cinco anos. A Mubadala Development, uma companhia de investimentos do governo de Abu Dhabi que detém participações em setores que vão desde energia à indústria aeroespacial, comprou uma fatia de 8,1 por cento da AMD em 2007, por 622 milhões de dólares. A empresa aumentará essa participação para 19,3 por cento e ganhará um assento no conselho de administração da AMD por meio de pagamento de 314 milhões de dólares por 58 milhões de novas ações.

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