América Latina precisa elevar produtividade, diz IIF

Os países latino-americanos estão mais resilientes a choques internacionais devido a políticas cambial e monetária flexíveis, altas reservas internacionais e um sistema bancário sólido, apontou nesta quinta-feira um relatório do órgão que representa as grandes instituições financeiras globais.

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

08 Março 2012 | 17h19

Mas a crescente dependência da China e a valorização das moedas locais impõe a necessidade de reformas que levem os países a ter maior produtividade, segundo o Instituto Internacional de Finanças (IIF).

"Há condições de competir globalmente, mas é preciso implementar uma agenda de reformas", disse a jornalistas o diretor-gerente do IIF, Charles Dallara, a jornalistas.

Segundo o relatório, de maneira geral, as posições fiscal e externa da América Latina até melhoraram comparativamente em relação ao resto do mundo. Parte disso deveu-se à constituição de mais reservas internacionais, que subiram 18 por cento em 2011, mesmo com a piora internacional e a políticas fiscais mais ortodoxas.

Isso abriu espaço para a flexibilização monetária para incentivar o mercado doméstico, outro ponto considerado importante contra a fraqueza global.

Para o IIF, uma piora na Europa teria efeitos limitados, já que o continente responde por apenas 16 por cento da corrente de comércio com a região. Os europeus não só mantiveram como elevaram o investimento em 25 por cento na América Latina em 2011, e deve continuar a ter um crescimento "vibrante" em 2012 e 2013, já que as perspectivas de crescimento de longo prazo da região são animadoras.

O sistema bancário, foi outra fortaleza local citada no relatório, com destaque para o Brasil, onde apenas 19 por cento dos ativos financeiros são dominados por estrangeiros.

ALERTAS

No entanto, para o IIF, a América Latina também está tendo "sorte" por ser uma grande exportadora de commodities, cujos preços permanentemente elevados têm ajudado ou "mascarado" a fraqueza nas contas externas e fiscais de vários países.

"Preços maiores explicam muito do aumento das exportações nos últimos cinco anos", afirmou o órgão, para quem três quartos de tudo o que a América Latina (excluindo o México) exportou em 2011 foi matéria-prima.

A pressão inflacionária de commodities mais caras também impede maior flexibilização monetária para impulsionar o crescimento econômico.

A dinâmica de juro alto para conter os preços atrai capital estrangeiro de curto prazo, valorizando as moedas locais, roubando-lhes a competitividade.

Na terça-feira, o Banco Central brasileiro cortou o juro básico em 0,75 ponto, a 9,75 por cento ao ano, em meio aos esforços do governo justamente para tentar conter a apreciação do real e acelerar o crescimento.

Para o IIF, esse cenário não vai mudar tão cedo, já que as economias desenvolvidas devem manter o juro perto de zero por pelo menos mais dois anos, afugentando capital para economias com mais potencial de rentabilidade, como as latino-americanas.

"As moedas de países em desenvolvimento vão continuar fortes", disse o economista-chefe do IIF, Phillip Suttle. "É a vida."

O órgão prevê expansão de 3,7 por cento para o PIB da região este ano e de 4,5 por cento em 2013. Para o Brasil, a expectativa é de crescimento de 3,4 por cento neste ano e de 5,2 por cento no próximo.

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