''América Latina sai antes da crise que ricos''

OCDE diz que PIB da região cai até 1,9%, ante 3,5% de membros do organismo

Reuters, ESTORIL, PORTUGAL, O Estadao de S.Paulo

01 Dezembro 2009 | 00h00

A América Latina está se recuperando da crise econômica global mais rapidamente que a maioria dos países desenvolvidos, com um crescimento "significativo" esperado no próximo ano, avaliou ontem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Num documento sobre as perspectivas econômicas da América Latina, divulgado num encontro Ibero-Americano em Portugal, a OCDE disse esperar que o Produto Interno Bruto (PIB) da região recue entre 1,5% e 1,9% em 2009, muito menos que a média dos países do grupo, que aponta queda de 3,5%.

A OCDE também afirmou que o prognóstico é positivo para o próximo ano.

"Espera-se que o ritmo da recuperação seja significativo em 2010, mesmo não alcançando as típicas taxas de crescimento de mais de 5% que caracterizaram a bonança do período 2004-2008", afirmou a OCDE, sem dar uma estimativa precisa de crescimento.

A organização disse esperar que vários países da América Latina superem este ano as previsões médias feitas pelo organismo, com uma previsão de crescimento para Peru, Panamá e Uruguai em termos de PIB per capita.

"Já é perceptível que a América Latina está se recuperando do choque mais rapidamente que a maioria das economias desenvolvidas... sem comprometer seus significantes progressos no que diz respeito às metas de desenvolvimento no longo prazo", avaliou.

A OCDE, cujos membros dividem um comitê de democracia para o livre mercado, também elogiou a maior parte dos países latino-americanos por se afastarem da "falsa sensação de segurança" criada por políticas protecionistas e por se inserirem na globalização ao longo da década passada.

"Os países latino-americanos que abriram seus mercados para a competição internacional durante a última década não têm mostrado mais vulnerabilidade à crise econômica global. Essa é uma façanha notável e algo que contrasta fortemente com a experiência dessas nações em crises passadas", considerou o organismo.

A OCDE avaliou que a abertura comercial e financeira tem sido combinada com êxito em vários países com o desenvolvimento de mecanismos de resiliência para resistir a choques, com mais déficits sustentáveis, ampliação de vencimentos da dívida e acúmulo de reservas internacionais.

Números

1,9%

É quanto a OCDE prevê que cairá, no máximo, o PIB médio dos países da América Latina em 2009, mas o organismo estima que a queda

pode ser também de 1,5%

3,5%

É quanto a OCDE prevê que será a queda média do PIB dos países do grupo neste ano

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