O pedreiro Everaldo Santini Ribeiro, de 37 anos, mora em Ribeirão Preto há mais de 15 anos, onde fincou raiz e constituiu família. Ele saiu de Tietê, ao lado de Piracicaba, para trabalhar como funcionário terceirizado na prefeitura ribeirão-pretana. Há sete anos trabalha por conta. Mas o sotaque caipira, carregado da origem, era notado pelos colegas de trabalho.

O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2010 | 00h00

"Diziam que na minha cidade a vaca faz "móór", não "muu"", recorda Ribeiro. Porém, pelo nome e pelo sobrenome ninguém o conhece no bairro Simioni, onde reside. Ali, só é conhecido pelo apelido: Americano. E a alcunha surgiu exatamente por causa do sotaque caipira.

"Diziam que eu falava esquisito e me pediam para repetir "leite quente" e outras palavras. E só chamavam: "ô, Americano", "ô, Americano", e pegou", explica Ribeiro.

Por sinal, ele detesta o apelido, mas se conforma. "Não gosto até hoje, mas só me conhecem por Americano'', emenda.

E até Sandra (o nome não fica claro na primeira vez por causa do sotaque), sua mulher, só o chama de Americano, desde o namoro. O casal tem três filhas: Elen, de 15, Amanda, de 9, e Bruna Eduarda, de 8. Amanda também rechaçou, como o pai, o apelido, mas não teve jeito: todos a chamam, agora, de Americana, mesmo sem ter sotaque.

"É coisa de raiz, não tem jeito", diz Americano, ao ser questionado se não consegue perder totalmente o sotaque. Mas quando retorna à cidade de Tietê, onde era conhecido como Edinho (de Everaldinho), para visitar os parentes, é que ele nota a diferença atual da época em que chegou a Ribeirão Preto.

"Quando vou lá, percebo que as pessoas arrastam mais a língua, como eu era quando cheguei aqui", recorda.

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