HEITOR HUI/AE
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Amigos dizem que Sandro Vaia transformou o jornalismo

Ex-diretor de redação do Grupo Estado morreu neste sábado

Ivan Marcos Machado, O Estado de S. Paulo

03 Abril 2016 | 17h25

JUNDIAÍ - A despedida ao ex-diretor de redação do Grupo Estado Sandro Vaia, que morreu aos 72 anos no sábado, 2, foi um encontro de várias gerações no Velório do Centro de Jundiaí, cidade onde ele morava. Todos foram unânimes em elogiar o “inovador” e “idealista”, que lutava por um mundo melhor e transformou o jornalismo. Rodrigo Mesquita lembra que convidou Sandro para um projeto novo no Grupo Estado quando era diretor da empresa e que revolucionaria o jornalismo, com impacto na indústria da informação. “O Sandro fez um trabalho formidável, de organização do jornal Estado. Eu sempre o considerei como um dos melhores editores que tivemos”.

Roberto Gazzi, consultor do Grupo Estado, disse que a reforma gráfica de 2004 foi um trabalho difícil, mas que rendeu bons resultados após quatro meses para implantação. Sandro Vaia conduziu de forma correta e conciliadora a reforma, que renderam muitos prêmios ao jornal. Lembrou também de Sandro Vaia como “um chefe que exigia apuração dos fatos, textos limpos, boa edição e título que retratasse os fatos. A redação gostou. O jornal melhorou e as pessoas ficaram orgulhosas com os prêmios”.

O jornalista do Estado José Maria Mayrink lembra que conheceu Sandro Vaia quando lhe apresentaram o “grupo de jornalistas de Jundiaí”. “Ele não parecia chefe”, comentou. “Mas era exigente e idealista, combatendo as coisas erradas na política. Depois veio a criação do Jornal da Tarde, como um marco no jornalismo e “trabalhamos juntos. Fizemos muitas histórias, que mudaram o País, sem falar na reforma gráfica do Estado, que teve grande repercussão nacional e internacional”.

A jornalista Cristina Falasco, que trabalhou por 15 anos no Grupo Estado, disse que Sandro foi uma “referência”. Ele sabia exigir e era discreto, de “poucas palavras”. O jornalista Elton Fernandes afirmou que se inspirou em Sandro, que conversava diariamente com seu pai, Ademir Fernandes, da Agência Estado. “Os dois tinham o Palmeiras como paixão e conversavam diariamente sobre tudo o que acontecia no País. O Sandro foi como um pai e mudou o jornalismo para melhor”, comentou.

O deputado federal Miguel Haddad (PSDB) conheceu Sandro Vaia quando ele produziu em Jundiaí o jornal de Segunda, para combater as irregularidades na política local e o definiu como “excepcional”. A jornalista Clariniza Souza, que atuou com Sandro no Grupo Estado, disse que o “jornalismo ficou mais pobre”.

A mulher de Sandro, Vera Vaia, sempre esteve ao lado do marido e nos últimos dias no hospital passou a publicar o “Boletim do Sandro”, descrevendo o estado de saúde do companheiro para os amigos. Em um deles, disse que o jornalista queria muito comer, mas os médicos não deixavam.

O corpo de Sandro Vaia foi sepultado às 16 horas deste domingo, 3, no Cemitério Nossa Senhora do Desterro, no Centro de Jundiaí.

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