Amorim quer abertura para etanol nos EUA

Chanceler conversou com Hillary Clinton e elogiou iniciativa norte-americana de adotar meta

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

30 de novembro de 2009 | 00h00

O chanceler Celso Amorim classifica como "um passo na direção certa" a proposta americana para a redução de emissões de CO2 e insiste em conversas com a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, que a abertura do mercado dos Estados Unidos para o etanol deveria fazer parte das medidas ambientais tomadas pela Casa Branca.

Amorim relevou ontem que conversou por telefone com a secretária de Estado dos EUA na quinta-feira sobre a proposta americana de redução de 17% das emissões de CO2 até 2020, em relação aos níveis de 2005. A sinalização americana foi comemorada na Europa, ainda que muitos alertem que ainda não é o suficiente para que haja um acordo na conferência do clima, que ocorre em Copenhague em dezembro.

Os países emergentes indicam que são os ricos quem devem cortar de forma mais drástica suas emissões, além de aceitar financiar uma ajuda para os países mais pobres. "Hillary deu indicações de que, além da redução, uma série de medidas serão tomadas pelo governo Obama. Isso é boa notícia", disse Amorim.

Uma das esperanças acenada pelo chanceler a Hillary é de que, entre essas medidas, os Estados Unidos acatem a ideia de abrir seu mercado para o etanol brasileiro. Na Organização Mundial do Comércio (OMC), uma lista de produtos ambientais foi apresentada pelos Estados Unidos para que tenham acesso facilitado aos mercados, supostamente com o objetivo de ter um impacto ambiental positivo. Entretanto, o governo americano se recusa a incluir o etanol no debate.

Já o Brasil estima que não há como fechar um acordo ambiental na OMC sem que as tarifas para o etanol do País nos Estados Unidos sejam reduzidas.

Apesar das dificuldades, Amorim acredita que exista espaço para um acordo em Copenhague. Na reunião, o Brasil apresentará a meta de reduzir entre 36% e 39% as emissões em 2020, em relação ao projetado se nada fosse feito. O chanceler apontou que outros países emergentes seguem o caminho de apresentar metas. Ele, que participa de reuniões em Genebra, alerta que o Brasil não aceitará um acordo climático que acabe criando barreiras comerciais. "Excluímos assinar qualquer acordo que indique isso."

Argentina

O secretário do Meio Ambiente da Argentina, Homero Bibiloni, afirmou ontem que será difícil chegar a um acordo se os países industrializados não se dispuserem a financiar a adaptação e a redução das emissões dos demais países às mudanças climáticas. "Se o dinheiro não estiver na mesa, o acordo será esmagado", disse.

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