Amsterdã faz desfile de moda em zona de prostituição

Evento vai promover coleções de estilistas em famoso Bairro da Luz Vermelha.

Clívia Caracciolo, BBC

18 de julho de 2008 | 09h24

O distrito da Luz Vermelha, em Amsterdã, será palco da abertura da Semana Internacional de Moda da capital holandesa neste fim-de-semana.O desfile de abertura, no sábado será realizado em uma das principais ruas do bairro, famoso pelas vitrines com prostitutas que se exibem e chamam seus clientes.Um dos objetivos do evento este ano é promover as coleções de estilistas holandeses que passaram a trabalhar em 16 vitrines antes ocupadas por prostitutas e que foram desativadas pela prefeitura em janeiro para dar lugar a um projeto de revitalização da área.No ano passado, o órgão municipal comprou 51 vitrines da área e, desde o início do ano, vem emprestando, a custo zero, parte delas a estilistas que passaram a morar e trabalhar no local. A idéia das autoridades é transformar a imagem do distrito da Luz Vermelha ou "The Wallen", como a área é chamada em holandês, e ao mesmo tempo estimular a "veia empresarial" de talentos da moda no país.Os estilitas estão incluídos no programa Turning Talent into Business (Transformando talentos em negócios), que oferece workshops e orientações sobre o processo de produção, marketing, gerenciamento financeiro e jurídico no mundo da moda.Combate à criminalidadeO bairro da Luz Vermelha é uma das regiões mais antigas e pitorescas de Amsterdã, atraindo milhares de turistas todos os anos.Ao decidir fechar um terço das mais de 400 vitrines de prostitutas, o prefeito da Amsterdã, Job Coen, disse que pretendia conter atividades ilícitas comuns no local, como exploração e tráfico de mulheres, além de lavagem de dinheiro.Coen afirma que não quer eliminar a prostituição de seu ponto tradicional, e sim que a atividade funcione de maneira transparente e de acordo com lei. "Nós não podemos permitir que criminosos atuem no distrito da Luz Vermelha. Não podemos fechar os olhos para a exploração, abusos e tráfico de mulheres, além de outras atividades que estimulam a lavagem de dinheiro", disse Coen."A transformação na área é para combater a criminalidade e não para atacar quem trabalha e mora ali."CríticasOs planos da prefeitura enfrentaram ferrenha oposição de empresários da região, que chegaram a mover processos contra o órgão municipal.Além de fechar 51 vitrines, a prefeitura intensificou o controle nos hotéis, bares e cassinos e ainda passou a aplicar uma severa lei nacional para conceder novas licenças de funcionamento. A grande maioria dos prédios comprados está sendo restaurada e ainda não tem finalidade definida, mas "deverá servir para o funcionamento de empresas criativas, inovadoras e de alta qualidade, para abrigar atividades ligadas à arte, cultura e com fins sociais" diz o porta-voz da prefeitura. Para dar mais apoio aos profissionais do sexo, a prefeitura ainda criou um centro de apoio com informações relativas a trabalho, saúde, drogas e ajuda psicológica. Cursos de defesa pessoal e idiomas também são oferecidos.No entanto, a Associação em Defesa dos Direitos das Prostitutas De Rode Draad (Cordão Vermelho, na tradução literal) diz que a medida está "tirando o pão da boca das mulheres"."A prefeitura está mudando tudo no bairro, dando um perfil que descaracteriza a Zona Vermelha, mas não está falando com as mulheres, dando alternativas a elas", disse a porta-voz do grupo, Metje Blaak, à BBC Brasil."Já soubemos que das 300 vitrines restantes mais 100 vão ser fechadas. Antes eram mais de 400. Eles estão dilapidando o diamante da Holanda", diz ela.Desde 2000, a prostituição é uma profissão legal no país. Profissionais, tanto homens quanto mulheres, pagam impostos e têm direito a um ambiente de trabalho saudável, de acordo com a lei.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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