Análise: Atentados na Índia indicam mudança de tática de extremistas

Para analista, novo método pode indicar influência de grupo de fora do país.

Gordon Corera, BBC

27 Novembro 2008 | 13h45

A Índia e Mumbai já foram vítimas de atentados antes, mas a série de ataques contra alvos múltiplos da cidade na quinta-feira marca uma mudança de direção significativa.Em ataques anteriores, explosivos foram deixados em locais públicos, como mercados e trens. Esses atentados, muitas vezes, provocaram a morte de muitas pessoas, com quase 200 mortos em 2006.Mas os ataques de Mumbai são diferentes tanto em relação ao método usado como à sua escala, com grupos de homens bem armados envolvidos em ataques sincronizados. Além disso, os responsáveis estavam claramente preparados para morrer nos ataques.Outra grande diferença é o fato de que, desta vez, hotéis e restaurantes usados por estrangeiros foram alvos e pessoas com passaportes britânicos e americanos foram especialmente identificadas nos ataques.Isso indica uma grande mudança de estratégia por um grupo já existente ou a influência de grupos de fora do país, talvez até mesmo da Al-Qaeda, cujo estilo de ataque é semelhante.AutoriaUm grupo que se apresentou como Deccan Mujahideen, reivindicou a autoria dos ataques, mas muito pouco se sabe sobre a organização.Os homens que realizaram os ataques tinham aparência do sul da Ásia e, segundo relatos, falavam hindi, indicando que são originários da Índia.Ataques realizados nos últimos anos apontaram a existência de vários grupos no país, especialmente o Mujahideen Indiano - que teria ameaçado atacar Mumbai em setembro, alegando que muçulmanos estavam sendo vítimas de abuso.As autoridades apontam o dedo para o Movimento de Estudantes Islâmicos da Índia e sugerem que outros grupos como o Mujahideen Indiano são simplesmente uma fachada para a organização, clandestina no país.Alguns ataques também foram atribuídos a um grupo conhecido como Lashkar-e-Toiba que a Índia diz ter o apoio da agência de inteligência do Paquistão.ImpactoSe a Índia realmente apontar o dedo para o Paquistão, isso pode ter implicações diplomáticas sérias, mas parece menos provável que o governo indiano responsabilize os paquistaneses agora tão rapidamente como ocorria no passado, quando as relações entre os dois países eram mais frágeis.Em dezembro de 2001, um ataque contra o Parlamento indiano quase provocou uma guerra entre os dois países.O quadro caótico se tornou ainda mais confuso recentemente devido a alegações de que grupos nacionalistas hindus também têm se envolvido em atentados.A crescente onda de ataques, especialmente neste ano, representa grandes problemas para as autoridades indianas.Além de ter de localizar os envolvidos nos ataques que conseguiram escapar, as autoridades locais e nacionais também terão de lidar com a questão da confiança do público diante da situação.Depois de ataques anteriores, Mumbai se recuperou rapidamente, e a vida voltou aos poucos ao normal, mas os atentados de quinta-feira podem ter um impacto diferente, e isso também para os que visitam a cidade.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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