Análise de e-mails descarta dados alterados

Uma análise dos e-mails roubados da Unidade de Pesquisa Climática da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, revela que cientistas tentaram bloquear o acesso de críticos do aquecimento global a informações científicas, mas não há indício de que tenham forjado ou escondido dados que negariam as mudanças climáticas.

ASSOCIATED PRESS, O Estadao de S.Paulo

13 Dezembro 2009 | 00h00

As 1.073 mensagens retiradas do servidor do laboratório e colocadas na internet por hackers no mês passado foram examinadas, uma a uma, por cinco jornalistas da agência de notícias Associated Press.

A análise mostra que os pesquisadores se digladiavam internamente com dúvidas ao mesmo tempo em que diziam ao mundo ter certeza sobre a mudança climática. Por outro lado, as dúvidas não colocam em xeque a conclusão maior da comunidade científica internacional, representada pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), de que o aquecimento global é um problema real, causado pelo acúmulo de gases-estufa lançados na atmosfera pelo homem.

A Unidade de Pesquisa Climática de East Anglia é uma das centenas de laboratórios que contribuem com informações para o IPCC. Os e-mails, trocados entre cientistas da universidade e de outras instituições, mostram que os pesquisadores tinham consciência do impacto político de seus estudos e que foram cuidadosos ao transmitir suas mensagens. Estavam tão convictos de suas conclusões que "se você não estava com eles, estava contra eles", diz Mark Frankel, diretor para assuntos de liberdade e responsabilidade científica da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), que também revisou os e-mails. Para ele, "não há evidências de fabricação ou falsificação de dados".

Apesar do consenso estabelecido pelo IPCC, ainda há críticos que acreditam que o aquecimento global é uma farsa ou que não é causado pelo homem.

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