ANÁLISE-Debate pode marcar virada ou fim da linha para Hillary

Pode ter sido o momento que marca oinício da virada na campanha, ou então o canto do cisne parauma candidatura que já foi considerada imbatível. Hillary Clinton encerrou sua participação no debate dequinta-feira à noite sendo aplaudida de pé pela platéia erecebendo elogios dos analistas. Mas alguns acham que suas declarações -- com elogios aorival Barack Obama e menções a seus pessoais dela -- ocorremtarde demais, pois a esta altura a disputa pode estar inclinadadefinitivamente para o lado do senador. Obama acumula dez vitórias consecutivas nas últimas préviasestaduais, o que lhe dá o status de favorito para obter aindicação democrata para a eleição presidencial de novembro. Hillary precisa de vitórias expressivas no Texas e em Ohio,no dia 4, e foi ao debate com a intenção de conter a "onda"Obama. A discussão, voltada para temas como Cuba, saúde pública,economia e guerra do Iraque, foi marcada pelo tom cortês entreos dois candidatos. Instado a citar uma crise desafiadora, Obama falouvagamente sobre sua vida. Já Hillary fez uma aparentereferência ao escândalo sexual que levou ao processo deimpeachment contra seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, ea uma discussão nacional sobre o estado do seu casamento. "Bem, acho que todos aqui sabem que eu passei por algumascrises e alguns momentos desafiadores na minha vida", disseela, sob aplausos, no auditório da Universidade do Texas. "Mas as pessoas sempre me perguntam: 'Como você faz isso?','Como você continua?' E eu tenho de simplesmente balançar acabeça com espanto, porque com todos os desafios que tive, elesnão são nada em comparação àquilo que eu vejo acontecer nasvidas dos norte-americanos a cada dia." Ela então descreveu de forma emotiva os soldados mutiladosque visitou recentemente e se disse "honrada" por dividir opalco com Obama, primeiro negro com chances reais de serescolhido candidato a presidente por um grande partido nos EUA. "Foi um bom momento para ela, que transmitiu uma mensagemsobre os EUA e se conectou com a audiência [ao vivo], talvezcom os espectadores", disse Julian Zelizer, professor deHistória e Assuntos Públicos da Universidade Princeton. "Para os seguidores dela, momentos assim revelam por quemuitas das críticas à sua candidatura e à sua personalidade sãosimplesmente inverídicas." Assessores trataram de apresentar essa declaração finalcomo um momento de virada na campanha. "Foi o momento em que ela retomou as rédeas desta corrida emostrou a mulheres e homens por que é a melhor escolha", disseHoward Wolfson, diretor de comunicação da campanha, em nota àimprensa. TARDE DEMAIS? Mas talvez tenha sido tarde. As pesquisas a mostramvirtualmente empatada com Obama no Texas, Estado onde Hillarytinha ampla liderança até semanas atrás. "Ela não vem embalada [como Obama], não tem dinheirosuficiente, e -- mais importante -- não parece ter os númerosao seu lado", avaliou Zelizer. Hillary parece perceber a posição delicada em que seencontra. "A despeito do que acontecer, ficaremos bem [ela eObama]. Vocês sabem, temos forte apoio das nossas famílias enossos amigos. Só espero que possamos dizer o mesmo a respeitodo povo norte-americano, e é disso que se trata esta eleição." O eleitor indeciso Haley Pollock, 24 anos, viu nisso umadmissão de possível fracasso por parte da ex-primeira-dama. "Acho que ela está começando a perceber que perder é muitomais factível do que antes", afirmou ele à Reuters num comícioapós o debate. Mark Penn, assessor de Hillary, negou que ela estejapreparando o cenário para a desistência. "De jeito nenhum. Elavem dizendo consistentemente que está nessa para ganhar",afirmou. Depois de Obama ser acusado de plagiar um amigo numdiscurso, a campanha dele insinuou que as palavras finais deHillary foram roubadas do ex-senador John Edwards, que retirousua candidatura em janeiro. "O 'melhor momento' de Clinton é uma fala de outrem?",questionou Bill Burton, assessor de imprensa de Obama, em emaila jornalistas, na qual apresentava a seguinte declaraçãoproferida em 13 de dezembro por Edwards: "Todos nós ficaremosbem, não importa o que venha a acontecer nesta eleição. Mas oque está em jogo é que a América fique bem." (Reportagem adicional de Claudia Parsons)

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