ANÁLISE-DEM emplaca vice de Serra e sai vitorioso

O Democratas ganhou nesta quarta-feira uma vitória importante ao emplacar a vice do candidato do PSDB à Presidência, José Serra.

NATUZA NERY, REUTERS

30 de junho de 2010 | 17h18

O partido, que havia sido preterido da chapa nacional até a véspera, tornou-se peça-chave na coligação após uma crise quase ter derrubado as pontes com o PSDB, que decidira pela chapa puro sangue na figura do senador Alvaro Dias (PR).

Foi Serra quem definiu o critério da nova dobradinha: queria um jovem a seu lado. Pinçou da cartola o nome de Índio da Costa, deputado federal em seu primeiro mandato e relator do projeto Ficha Limpa na Câmara.

O processo não foi rápido, exigiu reunião nesta madrugada com quatro horas de duração e outra nesta quarta, que consumiu mais três. O ex-governador Aécio Neves participou de parte da reunião da madrugada. Mais de seis nomes foram analisados para compor a chapa.

"A escolha foi uma decisão do Serra", disse o deputado Felipe Maia (DEM-RN). "O acordo (de indicar a vice) está sendo cumprido. Tenho certeza de que a crise foi superada."

A opção Alvaro Dias desmoronou já na véspera assim que a notícia de que seu irmão, o senador Osmar Dias (PDT-PR), havia decidido subir no palanque da adversária, a candidata do PT, Dilma Rousseff. A indicação gerou uma séria crise política no casamento Demo-tucano. O primeiro reclamava o posto e acusou o parceiro de não ter sido consultado.

Com a escolha do democrata, José Serra acertou três alvos: fortaleceu seu palanque no terceiro maior colégio eleitoral do país; jogou água no litígio com o DEM e deu um passo importante em busca do eleitorado jovem.

Apesar do acerto desta tarde, a candidatura de Serra sofreu um grande desgaste neste processo, sobretudo num momento em que as pesquisas já apontavam a liderança de Dilma.

"O mérito da escolha é de José Serra. O martelo foi batido hoje de manhã", contou o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), por muito tempo um dos nomes mais fortes para compor a aliança presidencial.

O presidente do Democratas, Rodrigo Maia (RJ), foi quem conduziu as negociações e telefonou convidando o correligionário e conterrâneo. Se o vice tivesse sido um tucano, Maia amargaria uma derrota que questionaria seu papel de líder partidário.

Optou por chancelar Índio da Costa, um político forjado pelas mãos do seu pai, o ex-prefeito César Maia, mas com quem rompeu em 2008.

Naquele ano, Índio queria ser candidato a prefeito do Rio. Considerou-se preterido pelos Maia, que acabaram nomeando a democrata Solange Amaral para concorrer à vaga.

Em política, porém, costuma predominar o pragmatismo, contou sorrindo uma integrante democrata para explicar o aval de seu presidente.

Antes de saber que posaria na foto ao lado de Serra, mas com a possibilidade já real naquele momento, Índio da Costa confidenciou à Reuters: "É como você sair de casa para ir ao cinema e descobrir que está no teatro".

(Reportagem adicional de Maria Carolina Marcello)

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