ANÁLISE-Estoque maior pode segurar exportação de soja do Brasil

As exportações de soja do Brasil na nova safra ainda poderão se manter em patamares próximos do recorde da temporada anterior, contando com estoques maiores da colheita passada. Mas isso dependerá do tamanho da quebra de produção nos Estados do Sul do país, disseram uma autoridade da indústria e dois analistas.

ROBERTO SAMORA, REUTERS

18 de janeiro de 2012 | 17h43

A estiagem registrada ao final de 2011 nos Estados sulistas já provocou perdas de pelo menos 3 milhões de toneladas de soja na safra 2011/12 na comparação com o potencial produtivo, segundo as secretarias de agricultura.

Em contrapartida, outras regiões produtoras do Brasil aumentaram a área plantada e têm contado com boas condições climáticas, como é o caso do Mato Grosso (maior produtor brasileiro), que deve produzir um recorde mais de 22 milhões de toneladas, alta de 1,6 milhão ante a temporada anterior.

Além disso, a oferta de soja do Brasil ganha reforço de estoques iniciais de pelo menos 3,5 milhões de toneladas - o terceiro maior volume da década, segundo dados da indústria - após uma safra recorde do país superior a 75 milhões de toneladas no ano passado.

"O Brasil passou com um pouco mais de estoques... Essa redução (na safra pela seca), uma parte a gente cobre com estoques mais altos que o normal. Acho que vai ser um ano bom, apesar de problemas que atrapalham no Sul", disse à Reuters Fábio Trigueirinho, secretário-geral da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

A Abiove, que realiza pesquisa mensal com os associados, ainda não tem um novo quadro de oferta e demanda considerando os dados da quebra de safra no Sul. "Tudo depende do clima no Rio Grande do Sul, em Mato Grosso está indo muito bem", acrescentou Trigueirinho.

Chuvas recentes estancaram as perdas nas safras do Paraná e Rio Grande do Sul, segundo e terceiro produtores de soja do Brasil. Mas a meteorologia não prevê precipitações volumosas para as lavouras gaúchas para até o final do mês, o que acende um sinal de alerta, diferentemente do Paraná, que terá mais umidade .

A colheita de soja da nova temporada está em estágio inicial em Mato Grosso e Paraná, Estados que respondem por quase metade produção da oleaginosa no Brasil, segundo produtor global atrás dos Estados Unidos.

MANTER RECORDE

Pelos números do governo norte-americano, aliás, o Brasil poderá superar os EUA como o maior exportador global de soja na safra 2011/12. Mas o USDA ainda não contabilizou todas as perdas sofridas no Sul.

Já pelos números da Abiove as exportações de soja do Brasil fecharão o ano industrial neste mês com embarques recordes de 33,2 milhões de toneladas, com os volumes em janeiro superando 1 milhão de toneladas (ante 208 mil em janeiro de 2011), de acordo com a programação dos navios nos portos, em meio à forte demanda e com boa sobra da safra recorde.

Na temporada anterior, o Brasil exportou 29,2 milhões de toneladas do grão, segundo a Abiove, que antes das perdas no Sul previu 34 milhões de toneladas para a nova temporada de exportação.

"A gente acha que dá pra manter, exportamos 33 milhões, um recorde. (Na nova safra) vai depender um pouco do montante de queda na produção, mas se estamos entrando com estoques mais altos tem condição de manter", disse o analista da MB Agro José Carlos Hausknecht.

O Brasil também deverá se beneficiar das compras da China, maior importador global, que deverá elevar suas importações, segundo o USDA e a consultoria Oil World.

A analista Daniele Siqueira, da Agência Rural, em Curitiba (PR), também avalia que seria possível manter o mesmo nível da exportação, mas ressaltou que isso dependerá de chuvas atingindo o Rio Grande do Sul nas próximas semanas.

"O problema é que nesse momento é dificil saber o tamanho da safra. A gente sabe que houve quebra no oeste e sudoeste do Paraná... e no Rio Grande do Sul, se não chover até meados de fevereiro, eles podem ter uma grande quebra", disse ela.

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