ANÁLISE-Por margem maior, ensino superior olha compras menores

A consolidação envolvendo instituições de ensino superior não está chegando ao fim, mas deve por ora ser orientada pela busca de aquisições de médio e pequeno portes, à medida que as três companhias de capital aberto do setor no Brasil buscam elevar suas margens.

SÉRGIO S, REUTERS

21 Outubro 2011 | 17h53

Após a última grande movimentação --a compra da Uniban pela Anhanguera Educacional por 510 milhões de reais--, as empresas têm reafirmado que continuarão a analisar ativamente oportunidades de compras, embora mais pontuais e estratégicas.

"Acredito que ainda nos próximos 12 meses não vai desaquecer o movimento de consolidação", disse o presidente da consultoria Hoper, Ryon Braga, acrescentando prever mais transações pequenas do que grandes movimentações.

"Não que uma grande fusão não possa acontecer, mas ainda há operações de menor porte para serem compradas."

Embora haja consenso entre especialistas consultados pela Reuters de que mais operações de fusões e aquisições ocorrerão, há divergências sobre o ritmo.

"O processo de consolidação vai desacelerar um pouco, para que as empresas digiram aquisições passadas. Depois o processo consolidador será retomado", disse o analista Alexandre Furtado Montes, da Lopes Filho.

De qualquer forma, ativos não faltam. O setor de ensino superior privado brasileiro é pulverizado, com muitas instituições pertencentes a famílias ou pequenos grupos, especialmente regionais.

Contudo, há uma escassez de oportunidades de boa qualidade, disse Braga, da Hoper. "Tem bastante ativo para comprar, mas muitos ativos ruins", disse o consultor.

Ele avalia, sem citar nomes, que sobraram cerca de 20 a 30 instituições de ensino boas de pequeno e médio porte no Brasil para aquisições.

As companhias de capital aberto --Kroton Educacional e Estácio Participações, além da Anhanguera-- devem,concorrer pelos ativos também com outros grupos e fundos de investimento, principalmente internacionais, afirmou Braga.

RENTABILIDADE

As empresas de ensino listadas na Bovespa devem dedicar mais tempo agora à consolidação das instituições que vinham comprando, num esforço para melhorar as margens de rentabilidade.

"Embora seja estratégia ganhar escala e ter retorno lá na frente, as aquisições empurram a margem média para baixo", afirmou Montes, da Lopes Filho.

A Anhanguera, maior companhia privada de ensino superior do Brasil, fechou 2010 com margem Ebtida --sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação-- de 24 por cento, a melhor do setor. Embora não divulgue metas, a empresa planeja elevar esse percentual.

"A Anhanguera pode ficar mais tranquila para se focar nas margens", disse Montes, referindo-se à adição de 50 mil alunos ao grupo com a aquisição da Uniban.

Kroton e Estácio, enquanto isso, precisam tirar a diferença de rentabilidade na comparação com a Anhanguera, disse um analista do setor que prefere não ser identificado. "Estácio e Kroton ainda têm que entregar resultado das aquisições", disse.

A Kroton planeja elevar sua margem Ebtida de 8,7 por cento em 2010 para 15 por cento este ano e 23 por cento em 2013.

A Estácio, que fechou o ano passado com margem Ebitda de 12,5 por cento, tem a ambição de chegar a 20 por cento em 2014, segundo uma fonte a par do assunto.

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