Análise: Presidente do Paquistão arrisca ao deportar ex-premiê

Pervez Musharraf pode ter que enfrentar reação da oposição e do Supremo.

M Ilyas Khan, BBC

10 de setembro de 2007 | 19h36

Ao deportar o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif horas depois de ele ter retornado ao país, após um exílio de sete anos, o governo do Paquistão, liderado pelo presidente Pervez Musharraf, enfrentou uma decisão difícil e se arriscou. O governo tinha algumas opções para lidar com Sharif, afastado do poder em um golpe liderado pelo general Musharraf em 1999. Uma delas era prendê-lo em conexão com algum dos processos por corrupção que estão correndo contra ele na justiça paquistanesa.No entanto, a contínua presença de Sharif no Paquistão poderia ter provocado um aumento da tensão política, na onda da campanha movida por advogados do país para impedir que Musharraf obtenha mais um mandato nas eleições que serão realizadas neste ano.A presença do ex-premiê também poderia levar a uma ampliação das exigências do PPP, o maior partido do país, nas negociações com o general. A agremiação, à qual pertence a ex-premiê Benazir Bhutto, ofereceu a Musharraf apoio para que ele permaneça no poder. Em troca, o general aceitaria abrir mão do comando do Exército, algo que hesita em fazer.Com a deportação, Musharraf procurou garantir que um rival imprevisível não ditasse a agenda política do país em um ano de eleições.Mas responder se a decisão de expulsar Sharif vai facilitar a vida do general depende de como Musharraf irá lidar com outras questões nos próximos meses.Musharraf corre agora o risco de ter que enfrentar uma forte reação da oposição, que interpretou a extradição de Sharif como ilegal.Ele também poderá ter que enfrentar a Suprema Corte, que vai estar sob pressão para punir o governo por violar uma determinação que o próprio tribunal emitiu, em julho, autorizando o retorno de Sharif.Há mais de um ano o presidente tem tido dificuldade para controlar a insatisfação pública e um judiciário cada vez mais independente.Ele também está sofrendo para vencer a batalha contra militantes muçulmanos e nacionalistas do Baluquistão, no norte e no oeste do país, respectivamente.Uma petição contra a deportação de Sharif já foi apresentada à Suprema Corte por um partido. Um parecer favorável a ela representará outro golpe contra a credibilidade do governo.Isso também dificultaria as negociações de Musharraf com o PPP, que ficaria na desconfortável posição de negociar o compartilhamento do poder com um governo que teria violado abertamente os direitos de Sharif, um líder que goza de apoio popular.Uma solução para o general seria tentar manipular as eleições parlamentares, garantindo que seu partido vencesse o pleito - algo arriscado, vista a crescente influência e a confiança da imprensa no Paquistão.Por tudo isso, muitos partidários do governo temem que a campanha anti-Musharraf movida por Sharif possa ter ganhado força e abale o delicado equilíbrio de que Musharraf depende para sobreviver.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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