ANÁLISE-Reajuste elevará lucro, mas defasagem continua na Petrobras

O reajuste inesperado de 5 por cento do diesel nas refinarias da Petrobras nesta quarta-feira levantou as ações da petrolífera no mercado e levou analistas a revisar para cima projeções de ganhos da empresa, mas a alta do combustível ainda não é suficiente para eliminar a defasagem entre os preços domésticos e os praticados no mercado internacional.

SABRINA LORENZI, Reuters

06 de março de 2013 | 14h04

Mesmo com o aumento, o óleo diesel nas refinarias do Brasil ainda está cerca de 14 por cento mais barato do que o vendido no mercado norte-americano, enquanto a gasolina mantém uma defasagem de 16,5 por cento, de acordo com o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

"Vemos a decisão do governo federal como positiva para a Petrobras, não só do ponto de vista de lucro por ação e fluxo de caixa, mas também como prova da sua preocupação em relação à capacidade da Petrobras de executar com sucesso seu plano de investimento de 236 bilhões de dólares aprovado para 2012-2016", analisou o banco de investimentos Goldman Sachs em relatório desta quarta-feira ao mercado.

O reajuste do diesel ocorre em ótima hora para a Petrobras, no momento em que a participação do diesel importado deve subir de 19 para 25 do consumo nacional por causa do escoamento da safra, entre outros fatores, nas contas do CBIE.

"A expectativa é que o consumo de diesel cresça bastante por conta da expectativa de boa safra agrícola e da necessidade de mais diesel para alimentar as térmicas ligadas neste ano para poupar os reervatórios (das hidreléticas)", afirmou o especialista Adriano Pires, diretor do CBIE.

REVISÃO DE ESTIMATIVAS

Um relatório do Merrill Lynch Bank of America estima que o reajuste do diesel deverá acrescentar receita anual adicional de 2 bilhões de dólares à Petrobras. O ganho poderá resultar em incremento de 5 por cento ao Ebitda e de 7 ao lucro líquido de 2013, segundo o banco de investimento.

O Goldman Sachs elevou de 73 bilhões de dólares para 79 bilhões de dólares a estimativa de Ebitda para este ano, enquanto a previsão de 2014 foi elevada de 84,1 bilhões para 89,6 bilhões de dólares.

O banco também elevou o preço-alvo das ações da petrolífera. A meta de 12 meses para as ações preferenciais da petrolífera foi elevada de 23,00 reais para 24,50 reais. Para as ações ordinárias, o preço foi ampliado de 22,50 para 24,20 reais.

As estimativas do GS e da MLBA estão em linha com as de outros bancos como Itaú BBA, que estima um incremento de 4,8 por cento e de 7,2 por cento no Ebtida e no lucro, respectivamente.

"Pensamos que este aumento poderá contrabalançar o sentimento negativo do investidor que viu aumentos parciais de combustível em fevereiro e seus pobres resultados no quarto trimestre de 2012", acrescentou o Goldman Sachs.

No ano passado, a Petrobras promoveu dois reajustes no diesel, um de 6 por cento, em julho, e outro em junho, de quase 4 por cento --em junho de 2012, a estatal anunciou também um reajuste de 7,8 por cento no preço da gasolina.

As ações da Petrobras operavam em alta de 5,9 por cento às 12h56.

GASOLINA

Para a gasolina, porém, não há perspectiva de reajuste porque, segundo analistas, além do potencial impacto na inflação, o aumento de etanol na mistura do combustível a partir de maio promete reduzir as importações do derivado, trazendo alívio automático para o caixa da Petrobras.

"O impacto do reajuste do diesel é bem menor que o da gasolina na inflação", disse Pires. "A notícia do reajuste foi boa, o caixa da empresa está debilitado empresa", acrescentou.

Em 2012, a área de Abastecimento da estatal fechou o ano com prejuízo de 22,93 bilhões de reais, devido à política de preços dos combustíveis no país.

Sem conseguir dar conta de acompanhar a crescente demanda do mercado interno, a Petrobras foi obrigada a aumentar a importação de derivados, a preços mais altos, para atender ao consumo --a importação de petróleo e combustíveis pelo país aumentou 30 por cento em fevereiro, para 3 bilhões de dólares.

A venda de combustíveis com prejuízo foi um dos fatores que pesaram no lucro da Petrobras de 2012, que recuou 36 por cento, para 21,18 bilhões de reais, configurando o menor lucro anual da empresa desde 2004.

(Por Sabrina Lorenzi, com reportagem adicional de Paula Laier e Daniele Assalve, em São Paulo, e Jeb Blount no Rio de Janeiro)

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