ANÁLISE-Romney ainda luta para selar indicação nos EUA

A caminhada de Mitt Romney rumo à indicação do Partido Republicano acaba de se tornar mais longa e tortuosa.

JOHN WHITESIDES, REUTERS

08 de fevereiro de 2012 | 11h15

Apontado como favorito, o ex-governador de Massachusetts sofreu derrotas em três Estados na terça-feira, num sinal das dificuldades que encontra junto ao eleitorado conservador, que o recrimina por ter adotado no passado posições simpáticas ao aborto e à obrigatoriedade da contratação de planos de saúde.

O milionário candidato continua sendo o favorito para enfrentar o democrata Barack Obama na eleição de 6 de novembro, mas a disputa interna do Partido Republicano está se mostrando mais volátil do que era previsto.

O ex-senador Rick Santorum venceu na terça-feira as disputas de Colorado, Missouri e Minnesota, e deu um passo importante para aglutinar o eleitorado conservador insatisfeito com Romney. Santorum havia vencido também a disputa inaugural da temporada, em Iowa, mas depois disso sua campanha parecia estar perdendo fôlego.

O próximo grande embate será no dia 28, em Michigan e Arizona. Romney foi criado em Michigan, onde seu pai foi governador e executivo da indústria automobilística.

Depois disso, será a vez da "Super-Terça", em 6 de março, quando dez Estados realizam a sua escolha.

Antes dos maus resultados desta semana, disse o estrategista republicano Ford O'Connell, Romney "queria passar por fevereiro e chegar à Super Terça como o virtual indicado, e isso simplesmente não vai acontecer agora - isso é um alerta para Romney, mas não é o fim de tudo".

A estratégia de Romney agora será retratar Santorum como uma velha raposa de Washington, que foi favorável a grandes gastos governamentais durante sua passagem pelo Congresso.

"Acho que veremos as diferenças na abordagem que será explorada", disse Stuart Stevens, assessor de Romney, a jornalistas em Denver. "Só não acho que este seja um momento em que as pessoas estão olhando para Washington para resolver os problemas com Washington."

Romney, ex-executivo financeiro, alardeia sua experiência na iniciativa privada como sendo a solução para os males econômicos dos EUA. Isso teve boa repercussão em Estados como Flórida e Nevada, muito afetados pelo desemprego e a crise imobiliária.

Já no Meio-Oeste - região onde ficam Iowa, Missouri e Minnesota, redutos de Santorum -, a questão econômica não é suficiente para convencer seus eleitorados rurais e conservadores.

Romney também pode ter de rever sua estratégia pós-Flórida. Lá, ele demoliu o rival Newt Gingrich com propagandas negativas, mas depois disso passou a praticamente ignorar Gingrich e Santorum, voltando suas baterias contra Obama.

Ele também praticamente ignorou os Estados de Missouri e Minnesota, preferindo concentrar sua campanha dos últimos dias no Colorado, onde ele venceu nas eleições primárias de 2008, e era novamente favorito neste ano.

"A equipe de Romney poderia ter de mudar sua estratégia. Até agora, eles tiveram sucesso em serem negativos com seus adversários e em valorizar a experiência empresarial dele", disse O'Connell.

"Mas obviamente os eleitores das primárias republicanas estão famintos por algo a mais. Muita gente o vê agora como um candidato monotemático."

Apesar dos tropeços, a campanha de Romney continua sendo mais organizada e rica que a dos rivais, o que lhe garante enorme vantagem para o resto da disputa. O candidato já arrecadou quase 57 milhões de dólares, e se vale também de 30 milhões conseguidos por um grupo de apoiadores chamado "Super PAC".

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