ANÁLISE-Saída de Fidel não muda política dos EUA para Cuba

A renúncia do presidente FidelCastro não muda a política do governo Bush para Cuba, o quesignifica a manutenção do embargo e de outras restriçõesenquanto Raúl Castro -- a quem Washington chama de "ditadorlight" -- estiver no poder. Autoridades norte-americanas e especialistas disseram que,com Raúl substituindo Fidel definitivamente, após um ano e meiode interinidade, há pouca chance de que Cuba deixe de ser alvodo isolamento e da retórica hostil por parte dos EUA. "Trata-se de uma transferência de autoridade e poder de umditador para um ditador 'light' -- de Fidel para Raúl. Isso éalgo que não queremos ver acontecer", disse o porta-voz doDepartamento de Estado, Tom Casey, na terça-feira. Os EUA vêm se preparando nos últimos anos para o fim da eraFidel, e para isso recuperaram um plano de transição que prevêeleições livres e democráticas. Mas especialistas dizem que o governo de George W. Bush,cujo mandato termina em janeiro de 2009, está decido a "esperarpara ver", e que eventuais mudanças na abordagem são maisprováveis depois que houver um novo ocupante na Casa Branca. "Não acho que haverá qualquer abertura política em curtoprazo sob Raúl", disse Peter DeShazo, diretor do programa paraas Américas na entidade Centro de Estudos Estratégicos eInternacionais, em Washington. Os pré-candidatos democratas Barack Obama e Hillary Clintonsinalizam com a suspensão do embargo econômico, em vigor desde1962, caso a ilha realize reformas democráticas. Já opré-candidato republicano John McCain disse que os EUA devemmanter a pressão sobre o regime comunista. Washington rompeu relações diplomáticas com Havana em 1961,dois anos depois do triunfo da revolução de Fidel, que logodepois de ascender ao poder aproximaria Cuba da UniãoSoviética. Os contatos foram retomados em 1978, com a abertura demissões diplomáticas de baixo escalão, as chamadas "seções deinteresse", nas respectivas capitais. Mas as rígidas sançõesdos EUA permanecem em vigor. O subsecretário norte-americano de Estado John Negropontefoi enfático ao dizer que o atual bloqueio econômicopermanecerá. "Não posso imaginar [o fim do embargo] em breve",disse ele a jornalistas. INCERTEZA E CAUTELA Angel Rabasa, analista-sênior da entidade Rand, disse queRaúl Castro, de 76 anos, dificilmente realizará mudançassignificativas em curto e médio prazo. "Portanto, dificilmente veremos mudanças políticassignificativas em Cuba. Na verdade, pode ser o contrário:devido à incerteza no futuro de Cuba, o regime está maispropenso a favorecer uma abordagem muito cautelosa econservadora", disse Rabasa. Mesmo que o governo dos EUA quisesse atenuar as restrições,especialistas dizem que seria preciso destrinchar um enormevolume de leis e que o lobby anticastrista no Congressoresistiria a concessões. Os Estados Unidos já divulgaram uma lista de metas a seremcumpridas antes que haja mudanças em suas políticas. Elasincluem a libertação de presos políticos, garantias aosdireitos humanos, autorização para a formação de sindicatos euma "trilha" que leve a eleições em Cuba. "Afinal, esta transição deveria levar a eleições livres ejustas, e quero dizer livres, e quero dizer justas", disse Bushem reação ao anúncio da aposentadoria de Fidel, feito naterça-feira. "Não esse tipo de eleições encenadas que os irmãosCastro tentam impingir como sendo uma verdadeira democracia." Rabasa disse que mesmo que os EUA não alterem imediatamentesuas políticas, o país precisa se preparar para uma eventualreação violenta dos cubanos e para um possível êxodo para osEUA. "Não podemos prever como Cuba vai evoluir, mas o que écerteza é que o atual sistema não pode se manter", disseRabasa. (Tradução Redação São Paulo, 5511 56447745)

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