Analista vê necessidade de novas áreas para soja atender demanda

O plantio de soja no Brasil precisará crescer nos próximos dez anos mais de 30 por cento em relação à área atual, para que o país possa atender bem a crescente demanda internacional pelo produto, já que apenas ganhos de produtividade não serão suficientes para acompanhar o aumento do consumo global, afirmou nesta quinta-feira um respeitado analista brasileiro.

ROBERTO SAMORA, REUTERS

27 de janeiro de 2011 | 18h04

Segundo André Pessôa, da Agroconsult, entre os principais produtores globais, o Brasil é a única nação que ainda tem grandes áreas disponíveis para um crescimento dessa magnitude.

"Não vamos dar conta de atender a demanda sem abrir novas áreas, a conta não fecha... Precisaremos aumentar o plantio em 8 milhões de hectares nos próximos dez anos", disse ele, em entrevista a jornalistas nesta quinta-feira, durante evento para comentar as perspectivas da safra atual

Isso elevaria o total semeado de 24 milhões de hectares, na atual temporada, para 32 milhões de hectares.

A avaliação de longo prazo do analista da Agroconsult supera a previsão do Ministério da Agricultura, que em suas projeções para 2019/2020 aponta uma área de 26,8 milhões de hectares.

Segundo o consultor, a maior parte do crescimento da soja no futuro viria da incorporação de pastagens para a agricultura, mas o Brasil não poderá abrir mão de novas áreas.

"É ingênuo dizer que não será preciso derrubar nenhum hectare do Cerrado, pois a produtividade hoje já é próxima do estado da arte", afirmou Pessôa, lembrando que o rendimento agrícola da soja tem crescido a uma taxa de 1 por cento ao ano, enquanto o consumo global da oleaginosa aumenta a 4 por cento anualmente.

Nos dias de hoje, há uma pressão cada vez maior para que o Brasil não derrube matas e florestas para uso das áreas na atividade agropecuária.

"Acho temerário abrir mão da abertura do Cerrado, dentro dos marcos legais estabelecidos", disse ele, lembrando que para a soja do Brasil, diferentemente do milho e do trigo, não há tanto espaço para aumentos de produção com ganhos de produtividades.

No caso do milho, a produtividade média hoje é inferior a 5 toneladas por hectare, enquanto já há produtores no Brasil produzindo 9 toneladas por hectare.

Assim, o analista considera que, respeitando a legislação, não faz sentido o Brasil "abrir mão de um ativo que todo o mundo quer".

Ele disse que o país precisa tomar uma decisão sobre o assunto, sob pena de ver a soja migrar para outras regiões do globo, que incluem a África, diante do rápido crescimento da demanda.

Pessôa declarou ainda que a expansão da atividade agrícola para novas áreas poderia melhorar as condições de vida das populações de Estados mais pobres do Brasil, como Maranhão e Piauí, atualmente as novas fronteiras agrícolas nacionais, mas onde as áreas ainda são relativamente pequenas em comparação com outras regiões produtoras do país.

A área plantada com soja no Brasil superou pela primeira vez 24 milhões de hectares na atual temporada (2010/11), cuja colheita está só começando.

Em relação à temporada passada, o aumento de área foi de 500 mil hectares, diante de bons preços internacionais. Mas o total cultivado atualmente é quase o dobro do que foi no início da década passada.

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