Anarquistas ameaçam atacar primeiro-ministro da Itália

Um grupo anarquista italiano que assumiu ter atirado no chefe de uma empresa de engenharia nuclear ameaçou nesta quarta-feira atacar o primeiro-ministro da Itália, Mario Monti.

REUTERS

16 Maio 2012 | 14h31

O grupo, chamado Núcleo Olga da Federação Anarquista Informal - Frente Revolucionária Internacional, disse em uma declaração enviada a um jornal do sul da Itália que Monti estava entre os sete alvos restantes após Roberto Adinolfi, chefe da Ansaldo Nucleare, ter sido baleado na perna na semana passada.

O ataque alimentou a preocupação crescente sobre um retorno da violência política na Itália por causa das dificuldades econômicas e da crescente oposição às medidas de austeridade implementadas pelo governo Monti.

Em comunicado enviado ao jornal Calabria Ora, o grupo afirmou que os ataques contra a agência fiscal Equitalia continuariam enquanto o governo insistir nas reformas para reduzir a dívida enorme da Itália.

"Dizemos a Monti que ele é um dos sete restantes e que as pessoas não têm interesse em permanecer na Europa, salvar os bancos e ajudar a equilibrar as contas de um Estado que esbanjou dinheiro para os seus próprios interesses", disse o comunicado.

"Qualquer suicídio cometido por um cidadão italiano ligado às dificuldades fiscais será punido como um "assassinato de Estado", acrescentou o texto.

Uma série de suicídios já aconteceu na Itália por empresários desesperados com a perda de seus meios de vida por causa da crise.

O texto enviado ao Calabria Ora tinha os mesmos símbolos e estava em um estilo similar a uma carta enviada ao jornal Corriere della Sera, na semana passada, reivindicando a responsabilidade pelo ataque a Adinolfi na cidade de Gênova.

A polícia italiana acredita que a declaração de responsabilidade é genuína e a promotora-chefe de Gênova, Michele di Lecce, disse na semana passada que não descarta novos ataques.

O mesmo grupo anarquista admitiu no ano passado ter enviado cartas-bomba para, entre outros, o chefe do Deutsche Bank, Josef Ackermann, na Alemanha. O diretor-geral da Equitalia em Roma perdeu um dedo depois de abrir uma das bombas em dezembro passado.

Supostos membros de um grupo ligado às Brigadas Vermelhas de extrema esquerda, que aterrorizaram a Itália durante os "anos de chumbo" na década de 1970 e 80, pediram na corte por uma revolução armada na terça-feira quando questionados sobre o ataque a Adinolfi.

(Reportagem de Ilario Filippone)

Mais conteúdo sobre:
ITALIA MONTI AMEACA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.