Anastasia defende Aécio no comando do PSDB e nega racha com paulistas

O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), defendeu a candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG) à presidência do partido para dar mais um passo rumo à candidatura dele à Presidência em 2014 e procurou afastar as especulações de uma ruptura por parte de lideranças paulistas da sigla.

Reuters

18 de março de 2013 | 16h24

"Se o senador vier a ser indicado presidente do partido em maio, acho que será positivo e um passo importante dentro da estratégia traçada", afirmou Anastasia a jornalistas nesta segunda feira na Associação Comercial do Rio de Janeiro.

Depois de matérias publicadas recentemente pela imprensa afirmando que o ex-governador de São Paulo José Serra e o atual, Geraldo Alckmin, são contra a chegada de Aécio à presidência do PSDB, Anastasia disse não acreditar que a chegada do senador, seu padrinho político, à presidência da legenda geraria um racha entre os tucanos.

"Acredito que quando chegarmos em maio, vai estar tudo bem avançado e vamos ter uma composição. Estamos na oposição há doze anos e temos que traçar de forma firme e com objetividade, serenidade e realismo quais nossas metas para 2014, que passa pela indicação do senador Aécio", disse Anastasia, que disse esperar um consenso em torno do nome de Aécio para presidir o partido.

Sem citar nomes ou fazer críticas diretas à algum nome do partido, Anastasia declarou que a entrega do comando do PSDB ao senador mineiro colocaria a legenda numa trajetória da renovação de idéias e posições.

"Certamente o senador Aécio vai correr o Brasil levantando as bandeiras do PSDB, discutir os temas nacionais mais relevantes, entre eles o tema do pacto federativo", declarou ele.

A ala paulista do PSDB tem dominado a indicação de candidatos do partido à Presidência desde a primeira eleição direta após a redemocratização em 1989, quando o ex-governador Mario Covas foi o candidato.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, nascido no Rio de Janeiro mas que fez a carreira política em São Paulo, foi o candidato vencedor em 1994 e novamente à reeleição em 1998. Em 2002, Serra foi o candidato, seguido por Alckmin em 2006 e novamente Serra em 2010.

Ao ser questionado se a troca de comando poderia provocar a saída de Serra do partido, como chegou a ser divulgado na imprensa, Anastasia disse que não acredita na possibilidade.

"Isso é de foro intimo, mas não acredito. Ele é fundador do partido e muito identificado. Parece ser muito especulação", declarou.

PACTO FEDERATIVO

O governador mineiro aproveitou a visita ao Rio para criticar o governo federal ao avaliar que o país vive o momento mais grave de história da crise da federação e do conflito entre Estados. Para ele, a União estimula os conflitos uma vez que não prega harmonia entre os Estados.

"A federação está doente e virou um letra morta... A União não articula, não coordena, não compõe e ainda permite que Estados implantem pequenas guerras, como a fiscal, que é danosa à segurança jurídica e para harmonia", disse ele

Anastasia evitou comentários mais profundos sobre a disputa entre os Estados em torno dos royalties do petróleo. O governador mineiro disse apenas que o debate já foi judicializado e está nas mãos do Supremo Tribunal Federal.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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