Anestésico poderá dar origem a novo antidepressivo

Uma droga que geralmente é encontrada em consultórios veterinários e festas "rave" poderá se tornar o próximo grande antidepressivo. Uma única dose de quetamina, um anestésico de uso veterinário que também é conhecido na noite como "Special K", ajudou a melhorar o ânimo de pacientes com depressão grave em pouco mais de duas horas, com efeitos que duraram até uma semana, de acordo com um novo estudo.Pelos últimos 50 anos, os tratamentos de depressão vêm tendo como alvo uma categoria de neurotransmissores conhecida como monoaminas. Drogas como Prozac e Paxil, por exemplo, funcionam bloqueando a retomada de serotonina, fazendo com que mais do neurotransmissor esteja disponível para estimular os neurônios que, em pessoas deprimidas, geralmente recebem pouca excitação. Mas as monoaminas têm um papel limitado no cérebro. Um sistema de comunicação mais geral se vale de um aminoácido chamado glutamato. O sistema do glutamato está associado ao aprendizado e à memória, mas pesquisas recentes implicam o aminoácido na regulação do humor, também.Uma equipe liderada por Carlos Zarate, do Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA, realizou uma pesquisa tendo como alvo um receptor do sistema do glutamato, chamado NMDA. Dezessete pacientes, que sofriam de depressão grave e não tinham respondido aos antidepressivos comuns, receberam injeções de quetamina ou de uma substância inerte. A quetamina é um bloqueador de NMDA. Dos voluntários, 12 reagiram ao tratamento, com cinco atingindo os critérios de remissão de depressão, de acordo com trabalho publicado na edição deste mês de Archives of General Psychiatry. Os pacientes injetados com a solução inerte não registraram melhora.

Agencia Estado,

09 de agosto de 2006 | 14h00

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