Angela Merkel não participará da Rio+20

É a segunda ausência importante: o premiê britânico, David Cameron, também não virá

FELIPE WERNECK / RIO, TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 Abril 2012 | 03h03

A chanceler alemã Angela Merkel avisou ao governo brasileiro que não virá para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, em junho. Merkel comunicou a decisão em conversa com a presidente Dilma Rousseff.

Além do desfalque da maior economia europeia, é incerta a presença do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na conferência que marca os 20 anos da Eco-92. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, já informou que não virá.

Merkel ficaria hospedada no Windsor Atlântica Hotel, na orla de Copacabana. As reservas dos 30 quartos selecionados para a comitiva da chanceler deverão ser canceladas. O pagamento de uma parcela do valor das reservas estava previsto para a próxima semana, informou uma fonte do setor hoteleiro.

Em palestra durante seminário promovido pela fundação alemã Konrad Adenauer no dia 16, o embaixador da Alemanha no Brasil, Wilfried Grolig, disse que o seu país "espera resultados concretos" na Rio+20. Na ocasião, ele informou que Merkel ainda não havia definido se viria para a conferência. A decisão negativa foi comunicada nesta semana.

A ausência de Merkel pode representar um temor que começa a transparecer nas falas de negociadores europeus, de que a Rio+20 não terá resultados fortes o bastante para guiar o mundo rumo à economia verde. Para eles, as coisas estão se movendo muito lentamente e a presidente Dilma Rousseff deveria tentar agir para acelerar isso.

Um dos resultados esperados pela Alemanha para a Rio+20 é a criação de uma agência da ONU para o meio ambiente nos moldes da Organização Mundial do Comércio (OMC). A posição é compartilhada pelos demais países do bloco europeu. Os EUA são contra. Segundo negociadores da União Europeia, causou surpresa a falta de apoio do Brasil para a transformação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) em uma agência ambiental com mais força e autonomia. O diretor executivo do Pnuma, Achim Steiner, disse que a proposta é apoiada por 140 países.

A Alemanha também defende que sejam definidos objetivos para o desenvolvimento sustentável, além de resultados em temas como segurança alimentar e eficiência no uso de recursos. Após o desastre de Fukushima, em 2011, Merkel anunciou a intenção de abandonar progressivamente a energia nuclear até 2022, fechando usinas.

Entre os projetos para compensar a lacuna de energia, a Alemanha pretende aumentar a eficiência energética e expandir o investimento em renováveis. Um dos desafios é a instalação de novas linhas de transmissão para interconexão da produção de eólicas off shore com grandes centros de consumo no sul e no oeste do país. Há resistência interna contra essas linhas.

Hoje, a Alemanha é o país europeu que mais investe em energias renováveis. No ano passado, foram US$ 30,6 bilhões - uma redução de 5% em relação a 2010. Só EUA e China investiram mais que a Alemanha em renováveis no ano passado.

Sem surpresas. O governo minimizou o impacto da ausência de Merkel. No Planalto, auxiliares de Dilma alegaram que o governo não contava mesmo com a presença da alemã. Segundo eles, na visita de Dilma a Hannover, em março, Merkel já tinha falado que teria dificuldades de estar no País na data do evento. / COLABOROU GIOVANA GIRARDI

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