Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

Angelita Gama recebe título de Professor Emérito

Prêmio é concedido todos os anos por Ciee e 'Estado' a quem presta serviços relevantes à educação; Angelita é especialista em cirurgia do intestino

O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2011 | 03h05

A médica cirurgiã Angelita Habr-Gama foi homenageada ontem com o título de Professor Emérito - Troféu Guerreiro da Educação 2011. O prêmio, uma parceria entre o Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee) e o Estado, é concedido anualmente a personalidades que prestaram serviços relevantes à educação no Brasil.

Angelita é uma das maiores especialistas do mundo em cirurgia do intestino. Nasceu na Ilha de Marajó, no Pará, de imigrantes libaneses. Aos 7 anos, chegou a São Paulo, onde completou os estudos na rede pública.

Na década de 50, graduou-se na Universidade de São Paulo (USP), onde viria a lecionar. Os pais queriam que fizesse magistério, mas preferiu a medicina. No discurso de agradecimento pelo prêmio, recordou a alegria do pai quando soube que a filha passara em sétimo lugar no exame seletivo da universidade.

Naquela época, a Faculdade de Medicina da USP tinha poucas mulheres. "É uma verdadeira guerreira", afirmou Luiz Gonzaga Bertelli, presidente executivo do Ciee, recordando que Angelita conseguia dinheiro para comprar os livros do curso fazendo colchas de crochê.

O diretor de desenvolvimento editorial do Estado, Roberto Gazzi, lembrou a simplicidade de Angelita ao comentar, em uma entrevista ao jornal, que o trabalho manual ajudou-a a desenvolver a precisão e a habilidade exigidas pela especialidade que escolheu.

O esforço rendeu-lhe o reconhecimento do pioneirismo. "Nos anos 60, Angelita tornou-se a primeira mulher médica residente em Cirurgia Geral do Hospital das Clínicas (da USP) e a primeira cirurgiã da história do Hospital St. Mark's, em Londres (à época, um dos principais centros no mundo para tratar doenças do intestino)", recordou Gazzi.

Homenageado no ano passado, o jurista e gramático José Cretella Junior traçou um detalhado perfil biográfico de Angelita. Comentou, divertido, a diferença de temperamento da médica e de seu marido, o também cirurgião Joaquim Gama, com quem está casada há 47 anos: "Ela, agitada. Ele, sempre calmo", disse, arrancando risos da plateia.

Docência. Em 1972, Angelita tornou-se professora livre-docente da USP. Durante o evento de ontem, fez questão de agradecer à universidade e aos professores que a apoiaram, especialmente o cirurgião Arrigo Raia.

Aproveitou a ocasião para questionar o que considera uma "proliferação mal planejada das faculdades de Medicina". "No início, achamos que seria importante a expansão de faculdades para contemplar novas áreas", disse. "Mas, hoje, a maioria das escolas não tem qualquer ligação com um hospital para treinamento, o que é muito ruim." Ela lembrou que é mais difícil conseguir uma vaga na residência médica do que passar no vestibular de algumas faculdades.

"Ao premiar Angelita, nós homenageamos todos os professores - conhecidos e anônimos - do País", sublinhou o presidente do conselho de administração do Ciee, Ruy Martins Artenfelder Silva.

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