''Animais eram valiosos como obras de arte''

Curador do Museu de História Natural de Oklahoma, Laurie Vitt diz que o incêndio no Butantã é um desastre que não afeta apenas os brasileiros

Carolina Stanisci, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2010 | 00h00

"Essas espécimes da coleção do Butantã eram tão valiosas quanto obras de arte", afirma Laurie Vitt, de 65 anos, curador da seção de répteis do Museu de História Natural de Oklahoma, nos Estados Unidos. Vitt fala com propriedade: ele passou longas temporadas no Brasil nas últimas três décadas, pesquisando e coletando serpentes.

O zoólogo trabalhou no País ao lado de nomes consagrados, como Paulo Vanzolini, e foi colaborador de instituições como Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Brasília (UnB) e Museu Paraense Emilio Goeldi, em Belém do Pará.

Vitt conta que ficou arrasado ao saber do incêndio que consumiu quase toda a coleção do Instituto Butantã. "Foi um desastre. Não afeta apenas os brasileiros, mas gente do mundo todo que trabalha com cobras."

O museu de História Natural onde Vitt trabalha fica no câmpus da Universidade de Oklahoma e é cercado de cuidados. O prédio onde estão as coleções - além das serpentes, há outros animais - custou US$ 44 milhões e foi construído há dez anos. Além de ter um sistema anti-incêndio sofisticado, o edifício tem temperatura, umidade e iluminação controladas e há restrições ao fumo próximo ao museu. "Fazemos periodicamente inspeção para a segurança contra incêndios."

Vitt recebe um salário de US$ 100 mil por ano, assim como o outro curador da seção de répteis. O orçamento do museu, que inclui o pagamento de funcionários e verbas para manutenção, vem do Estado. "Funciona desse jeito em todo o país, mas também conseguimos captar dinheiro com as diversas exposições que fazemos."

Segunda categoria. Vitt estranhou as críticas feitas pelo ex-diretor do Butantã Isaías Raw, de que a coleção do instituto não era importante. Mas afirmou que o descanso com coleções são comuns em muitos países, diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos, onde a importância é consagrada.

"Pessoas que não são cientistas às vezes pensam que as coleções não são importantes. E é difícil convencê-las do contrário."

As coleções do Museu de História Natural de Oklahoma conta com um total de 3 milhões de espécies, incluindo mamíferos, peixes e pássaros. Parte da coleção de 50 mil répteis e anfíbios é originária da América do Sul, especialmente da Amazônia, região onde o zoólogo trabalhou durante anos.

No tempo em que esteve no País, fez amigos e orientou estudantes. Alguns foram com ele para a Universidade da Califórnia (UCLA), onde trabalhou como professor de Zoologia. Um de seus ex-alunos foi o professor de zoologia da UnB Guarino Colli, cujo nome consta no site do museu de Oklahoma como pesquisador associado.

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