Animais estão se adaptando

Para pesquisador, é inegável que tem havido uma evolução biológica[br]em curso nas matas próximas a lavouras

Tânia Rabello, O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2009 | 02h40

Segundo Miranda, o principal objetivo do estudo foi "avaliar a contribuição da agricultura e pecuária na conservação dos povoamentos animais terrestres". A região escolhida não poderia ser mais apropriada, já que na Bacia do Rio Pardo concentra-se, segundo Miranda, um grande bolsão de agroecossistemas intensivos, que contribuem significativamente para o agronegócio brasileiro. As principais culturas perenes da região são citricultura e cafeicultura, seguidas pela silvicultura com eucalipto, pinus e seringueira. Há também pastagens, cana e lavouras anuais de grãos, com soja, milho, feijão e arroz, principalmente.     Veja também:Lavoura abriga fauna silvestre Cana orgânica: quatro vezes mais espécies E bichos, muitos bichos. A presença dos animais foi detectada por meio de 303 levantamentos entre os anos de 2006 e 2007. Os pesquisadores fizeram a identificação das espécies por meio visual ou auditivo ou analisando pegadas, fezes, penas, ninhos, tocas , pelos e pelotas de regurgitação, em todas as estações do ano. Ao todo, 209 espécies foram identificadas. "É um número bastante rico", diz Miranda. "É inegável que há uma evolução biológica em curso nas vegetações naturais próximas às áreas de cultivo." Proporcionalmente, segundo Miranda, o sistema de cultivo de cana orgânica foi o que mais espécies apresentou, 89 especificamente neste estudo, já que levantamentos em cana orgânica vêm sendo feitos desde 2002 (veja aqui). Quantitativamente, até pela área maior ocupada, as pastagens abrigaram o número mais abundante de espécies: 106.Instalação permanente"Anualmente, novas espécies devem estar sendo agregadas por processos naturais à comunidade animal e muitas delas poderão encontrar possibilidade de instalação permanente no novo ambiente."O importante, porém, segundo Miranda, é a estabilidade dos cultivos. Por exemplo, em canaviais, a manutenção da palhada após a colheita da cana crua, ano após ano - "São cerca de 20 toneladas de palhada e restos de lavoura por hectare/ano", destaca o pesquisador -, é fundamental para a atração e fixação de várias espécies de animais silvestres. "A previsibilidade é outro conceito que contribui para a atração dos animais, ou seja, a certeza de que todos os anos haverá alimento naquela área." Além disso, obviamente a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis são fundamentais para estimular a biodiversidade.Segundo Miranda, mesmo que seja exclusivamente para deslocamentos, as lavouras estão cumprindo o papel de corredores de fauna. "Elas são mais confiáveis para a segurança das espécies do que a travessia por estradas de rodagem", diz ele.O trabalho da equipe de Miranda não para por aí. Segundo o pesquisador, duas novas áreas, uma em Serra Negra, numa fazenda produtora de leite e derivados orgânicos, e outra em Indaiatuba, também com produção orgânica, já estão tendo a biodiversidade mapeada. "Essas propriedades estão sendo monitoradas pela Embrapa Meio Ambiente", diz Miranda, animando-se com o fato de que, no futuro, os cultivos agrícolas possam ser importante meio para conservar a vida não só do homem, mas também de outras espécies de animais. INFORMAÇÕES:Embrapa Monitoramento por Satélite,tel. (0--19) 3211-6200

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