Anistia condena violência e trabalho escravo no Brasil

A Anistia Internacional, em seu relatório de 2008, comemorativo aos 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) e divulgado na manhã de hoje em Londres, denuncia uma série de violências que ocorrem contra a vida humana no Brasil, tanto na área indígena como na de outras populações marginalizadas. A Anistia salienta que a tortura e a violência policial prosseguem por aqui, além da existências de gangues criminosas e menciona ainda o trabalho escravo em canaviais.A Anistia diz que países como Brasil e México têm sido firmes tanto na promoção dos direitos humanos em nível internacional quanto em seu apoio à engrenagem de direitos humanos da ONU. No entanto, a menos que a distância entre suas políticas no plano internacional e seu desempenho no âmbito doméstico seja diminuída, sua credibilidade como defensores dos direitos humanos será contestada.Na sua apresentação sobre o Brasil, a Anistia lembra que o País tem 191,3 milhões de habitantes, com expectativa de vida de 71,7 anos e taxa de alfabetização de 88,6%. Para a organização, no Brasil, "os moradores das comunidades marginalizadas continuaram a viver em meio a níveis extremamente elevados de violência, praticada tanto por grupos criminosos organizados quanto pela polícia"."As operações policiais realizadas nessas comunidades resultaram em milhares de mortos e de feridos, geralmente intensificando a exclusão social. Grupos de extermínio ligados à polícia também foram responsáveis por centenas de assassinatos", relata. Ainda em relação ao Brasil, a Anistia aponta ainda que ativistas rurais e povos indígenas que realizam campanhas por acesso à terra foram ameaçados e atacados por policiais e por seguranças privados. "Houve denúncias de trabalho forçado e de exploração do trabalho em diversos estados, inclusive no setor canavieiro em expansão, diz.A Anistia destaca ainda que escândalos de corrupção atribularam tanto o governo federal quanto os governos estaduais e afirma que "comunidades carentes continuaram encurraladas entre as gangues de criminosos que dominam as áreas em que elas vivem e os métodos violentos e discriminatórios usados pela polícia". "A resposta do governo federal e dos governos estaduais à violência criminal foi confusa", avalia.Nos estados, segundo a Anistia Internacional, apesar de alguns governadores terem prometido reformas, a maioria das forças policiais estaduais continuou a adotar métodos violentos. "Em nenhum outro lugar isso foi tão evidente quanto no Rio de Janeiro, onde as promessas de reforma foram abandonadas e o governador passou a adotar uma postura pública cada vez mais draconiana e belicosa nas questões de segurança", acrescenta.Conforme a Anistia, prosseguiu a violência nas áreas rurais, geralmente em situações de disputa que opunham, de um lado, grandes proprietários de terra e, de outro, trabalhadores rurais sem terra e povos indígenas ou quilombolas. "A expansão da monocultura, como as plantações de soja e de eucaliptos, a extração ilegal de madeiras e a mineração, juntamente com projetos de desenvolvimento, como a construção de represas e o projeto de desvio do Rio São Francisco, estiveram entre as principais fontes de conflito". Casos de trabalho forçado foram relatados por todo o País, conforme a organização.

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