Anistia deplora abuso policial na República Dominicana

A Anistia Internacional lançou um relatório mordaz sobre a República Dominicana nesta terça-feira, no qual diz que a força policial do país foi responsável por mortes e tortura sem que ninguém tivesse sido punido.

REUTERS

25 de outubro de 2011 | 14h35

A força policial foi responsável por em média 15 por cento das mortes violentas registradas anualmente na República Dominicana entre 2005 e 2010, de acordo com o relatório.

"Essa proporção é alarmante e suscita preocupações significativas de que a polícia emprega com frequência uma força desproporcional com consequências fatais", disse o relatório.

O grupo de direitos humanos com sede em Londres afirmou que o abuso da polícia no país caribenho tem como pano de fundo um aumento nos crimes violentos ligados ao tráfico de drogas, à proliferação das armas de fogo e à desigualdade social crescente.

O documento disse que os "métodos de policiamento linha-dura" contribuem para a escalada da violência e da criminalidade em vez de ajudar a reduzi-las e que o abuso policial floresceu em razão da supervisão inadequada do governo.

A República Dominicana tem 10 milhões de habitantes e compartilha a ilha caribenha de Hispaniola com o Haiti.

"No cerne do fracasso em implementar reformas efetivas e em garantir que os dominicanos tenham o policiamento efetivo do qual necessitam está a falta de vontade política", disse a Anistia.

"Os que estão no poder fracassaram em se opor àqueles com amplo interesse na manutenção do sistema atual,no qual a corrupção está profundamente enraizada e os abusos aos direitos humanos pela polícia são difusos", afirma o relatório.

A Anistia também disse que não há instituições independentes com a missão de supervisionar a polícia e investigar de forma independente as queixas de abusos pela polícia.

O porta-voz da polícia nacional, coronel Máximo Baez, negou que a polícia aja com impunidade na República Dominicana e disse que neste ano 156 oficiais foram exonerados e punidos por atuar fora da lei ou por suposta má conduta.

"Os achados são prejudiciais porque não fomos consultados para que ouvissem nossa versão de cada um dos fatos citados", afirmou Baez sobre o relatório da Anistia.

A Polícia Nacional informou que 2.367 pessoas foram mortas por seus homens de 2005 a 2010, de acordo com o relatório.

(Texto de Tom Brown; editado por Will Dunham)

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