Anistia pede boicote de médicos a injeções letais

Organização afirma que método é cruel e vai contra juramento ético da classe.

BBC Brasil, BBC

04 de outubro de 2007 | 07h35

A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional pediu a médicos e enfermeiras que não participem de execuções por injeção letal, porque ela vai contra o juramento ético da classe.Em um relatório publicado nesta quinta-feira, a Anistia afirma que o coquetel de remédios usados nas injeções não necessariamente garante uma morte rápida e indolor e, muitas vezes, causa "dor excruciante e sofrimento mental extremo".O método de execução é o mais usados nos Estados Unidos e vem crescendo na China.A Anistia Internacional é contra a pena de morte em todas as formas.Neste relatório, Execução por injeção letal - um quarto de século de envenenamento pelo Estado, a organização afirma que os governos não deveriam colocar médicos e enfermeiras na posição de quebrar seu juramento ético."Profissionais médicos são terinados para trabalhar pelo bem-estar dos pacientes, não para participar em execuções ordenadas pelo Estado", disse Jim Welsh, coordenador de saúde e direitos humanos da AI.O relatório também questiona o coquetel de remédios usado mais comumente nas injeções.O coquetel consiste em uma droga que atua como anestésico, induzindo a um sono profundo, outra que paralisa os músculos e uma terceira, que provoca um ataque cardíaco.Segundo o relatório, o Texas, o Estado americano que mais utiliza o método, proíbe o uso das mesmas drogas para o sacrifício de cães e gatos, por causa do risco da dor.De acordo com a AI, o efeito do anestésico pode acabar antes da parada cardíaca, causando extrema dor e estresse mental.Mas por causa da paralisia muscular, os pacientes se entram em uma "camisa-de-força mental" e não conseguem alertar para o fato.A Anistia ainda cita casos de prisioneiros americanos que sofreram por cerca de meia hora, por conta de problemas na hora da execução.O grupo afirma ainda que o uso das injeções letais também vem crescendo na China, onde o governo não divulga o número de execuções. Acredita-se, no entanto, que o país seja o maior executor de penas de morte do mundo.O país vem adotando o método de "câmara de morte móvel", em que os condenados são executados nos fundos de uma van, sem janelas, por injeção letal.O debate sobre as injeções letais também vem crescendo nos Estados Unidos. Na semana passada, a Suprema Corte concordou em ouvir o caso de dois condenados que alegam que o método viola a proibição de punição cruel e incomum, contida na Constituição Americana. A decisão da corte poderá trazer orientações mais amplas sobre o método de execução, que alguns Estados suspenderam depois de reclamações de que ele era cruel e ineficiente.Andrea Keilen, de uma firma de advogados que representa cerca de 150 prisioneiros no corredor da morte no Texas, afirma que não há como avaliar a competência daqueles que realizam as execuções no Estado."Não temos nenhuma idéia do que está acontecendo no Texas, porque tudo é feito em segredo." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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