Antiga Bretanha tinha apartheid, dizem cientistas

A Bretanha anglo-saxã tinha uma sociedade onde vigorava um ?apartheid", segundo cientistas. Uma pequena população de migrantes, vindos das regiões onde hoje estão Alemanha, Holanda e Dinamarca, teria estabelecido uma sociedade segregacionista depois que chegaram à ilha da Grã-Bretanha.Os pesquisadores acreditam que os migrantes mudaram a configuração genética da população usando a sua superioridade econômica como ferramenta.A conclusão explicaria a abundância de genes germânicos na Inglaterra contemporânea, conforme uma publicação da organização científica britânica Royal Society.O número de pessoas com ascendentes paternos germânicos na Inglaterra é muito alto. Pesquisas revelaram que o cromossomo Y germânico está presente em mais da metade dos homens no país.Contudo, os cientistas ficavam intrigados com as evidências históricas que mostram um número pequeno de migrantes anglo-saxões.Entre 10 mil e 200 mil anglo-saxões foram para a Inglaterra entre os séculos 5 e 7, quando a população nativa estava na casa dos 2 milhões de pessoas.Divisão étnicaPara entender o que pode ter acontecido no período, cientistas britânicos usaram simulações de computador para verificar as mudanças que a configuração genética teria sofrido com um afluxo tão pequeno de migrantes.O grupo de pesquisadores usou evidências históricas que sugeriam que os nativos britânicos tinham desvantagens sociais e econômicas substanciais em comparação com os recém-chegados anglo-saxões.Para os cientistas, isso teria levado a um desequilíbrio reprodutivo que teria originado uma divisão étnica. Textos antigos, como as leis de Ine, sugerem que a vida de um nativo britânico não valia tanto quanto a de um anglo-saxão.Para Mark Thomas, biólogo do University College London (UCL), as características genéticas dos ingleses de hoje seriam explicadas por esse comportamento.?Com as combinações envolvendo a vantagem reprodutiva de ser anglo-saxão naquela época e as possibilidades de miscigenação étnica, foi possível se chegar aos padrões genéticos e lingüísticos que vemos hoje?, disse. ?Uma elite saxã inicialmente pequena pode ter se estabelecido rapidamente tendo mais filhos que chegavam à vida adulta, graças às melhores condições econômicas e militares?.?Nós acreditamos que eles também impediram os genes dos britânicos nativos de se misturar à população anglo-saxã ao restringir casamentos entre as etnias, num sistema segregacionista que deixou o país ´germanizado´ cultural e geneticamente?, afirmou. ?É isso o que vemos hoje - uma população basicamente de origem germânica, falando uma língua de origem germânica?.A pesquisa foi publicada na revista científica Proceedings of the Royal Society B.

Agencia Estado,

19 de julho de 2006 | 16h39

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