Anúncio de cerveja usa 'sósia' de Bento XVI na Itália

Propaganda da marca de cerveja artesanal Bidu chamou atençãonas ruas de Gênova

Guilherme Aquino, BBC

03 Julho 2008 | 05h51

Uma cerveja artesanal italiana chamou a atenção da mídia depois de usar um homem parecido com o papa Bento XVI nos anúncios divulgados em outdoors pelas ruas de Gênova, no norte do país. O anúncio da marca Bicu, fabricada no quintal de um bar da cidade, mostra um homem de cabelos brancos, vestido com a indumentária papal, de costas e de braços abertos, segurando um copo de cerveja em uma das mãos. O texto do anúncio diz: "Bicu, agrada até mesmo aos alemães", fazendo uma referência à nacionalidade do papa . De costas, o personagem remete à imagem do Pontífice. "O nosso objetivo foi associar o produto ao seu consumidor mais fiel e atento", explicou Ugo Musso, criador da campanha da agência Lever. "E quem melhor do que um alemão para julgar uma cerveja italiana?", disse. A empresa colocou apenas 40 outdoors pela cidade, que ficarão expostos somente até a próxima semana - o suficiente para chamar a atenção da mídia. Jogada de marketing O criador da campanha afirma que não recebeu nenhuma recriminação dos fiéis e nem do órgão oficial que regula a ética da publicidade na Itália. Segundo o publicitário, o outdoor tem sido interpretado com bom humor e não ofende a fé cristã. "Muitas pessoas acham que ele se parece com uma personalidade bastante conhecida", diz Ugo Musso, sem citar o papa Bento XVI . A jogada de marketing impulsionou o bar-restaurante que produz a cerveja na orla do porto antigo de Gênova, para o cenário internacional. O estabelecimento foi aberto há um ano e serve 16 tipos diferentes de cervejas fabricadas no quintal de casa, atrás do balcão. Desde que foi inaugurado, o bar já recebeu 300 mil freqüentadores, que consumiramum total de 200 mil litros da cerveja. "Uma das cervejas é feita com manjericão, ingrediente obrigatório na tradicional cozinha genovesa. Elas não são vendidas fora do bar, mas podem ser levadas para casa", afirma o publicitário. Foi pensando em valorizar a produção local que a agência teve a idéia de usar um "garoto-propaganda" universal. "O cliente [a fabricante] tinha a exigência de transmitir uma mensagem importante, que era informar aos clientes sobre a boa qualidade do produto", disse à BBC Brasil, Ugo Musso. Publicidade Ter o papa  como garoto-propaganda, voluntário ou não, é a aspiração de muitos fabricantes, a começar pelas montadoras de automóveis. Ao iniciar o seu pontificado, o cardeal Joseph Ratzinger foi alvo de um minucioso escrutínio da mídia. Do par de óculos escuros ao par de sapatos, nada passava desapercebido pela imprensa. Recentemente, o jornal L'Osservatore Romano, da Santa Sé, afirmou que os vistosos calçados vermelhos usados pelo papa em algumas ocasiões, não eram da marca Prada, como se suspeitava no mercado. No entanto, o Vaticano não revelou o mistério do nome do fabricante. Além disso, o papa tem uma postura crítica com relação à publicidade em geral. Em janeiro, no dia Mundial da Comunicação Social, ele afirmou que "a publicidade é muito obsessiva e vulgar e impõe cada vez mais modelos e valores de vida distorcidos", afirmou Bento XVI. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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