Eric Gaillard /Reuters
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Anvisa pode recomendar a remoção de 25 mil próteses de silicone no Brasil

Há suspeitas de que o gel de silicone utilizado pela marca francesa PIP seja de má qualidade e tenha mais chances de se romper; França já orientou retirada das próteses às mulheres do país

Reuters e Agência Brasil

23 de dezembro de 2011 | 15h39

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está aguardando a conclusão de autoridades francesas da área de saúde para decidir que orientações serão dadas às 25 mil brasileiras que implantaram próteses de silicone da marca PIP (Poly Implant Prothèse). De acordo com o governo francês, há suspeitas de que o gel de silicone seja de má qualidade e apresente mais chances de se romper.

 

Autoridades francesas aconselharam nesta sexta, 23, a 30 mil mulheres do país que fizeram operações para aumentar os seios que retirem seus implantes. As operações serão pagas pelo governo francês.

Fabricadas pela empresa francesa PIP (Poly Implant Prothèse), as próteses vêm se rompendo em uma taxa acima do normal, pelo menos na França. A Anvisa informou que está acompanhando o desenrolar das investigações, que provavelmente a responsabilidade pela retirada dos implantes será do fabricante e que o caso deverá ser resolvido no âmbito do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), órgão vinculado ao Ministério da Justiça.

Ainda de acordo com a Anvisa, as orientações sobre procedimentos que deverão ser adotados pelas mulheres que implantaram próteses de mama PIP dependem ainda das informações que serão repassadas pela França. Caso a orientação seja a de retirada das próteses, caberá ao Ministério da Saúde dizer a quem caberá a responsabilidade pelas cirurgias de retirada.

Proibida no Brasil, liberada pelo mundo

O implante desse tipo de prótese foi proibido no Brasil em 2010. Em todo o país, foram comercializadas 25 mil delas. Até o momento, segundo a Anvisa, nenhum funcionário da área de saúde registrou a ocorrência de problemas nas próteses implantadas em brasileiras.

 

Cerca de 300 mil implantes PIP, que seriam usados em cirurgia cosmética para aumentar o tamanho dos seios ou para substituir tecido mamário, foram vendidos ao redor do mundo antes da falência da empresa no ano passado. Fundada em 1991, a Poly Implant Prothese tinha sede no sul da França, e durante um período foi a terceira maior fabricante de implantes do mundo, produzindo cerca de 100 mil por ano.

A França registrou oito casos de câncer em mulheres com implantes mamários fabricados pela PIP, que é acusada de utilizar silicone de grau industrial, normalmente usado em computadores e utensílios de cozinha.

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