Nancy Mora/Divulgação
Nancy Mora/Divulgação

Ao redor da mesa, ao redor do globo

Redes sociais como Eat With e MealSharing unem as pontas: de um lado, aqueles que gostam de receber pessoas; do outro, os que têm fome de conhecer a melhor comida do lugar que estão visitando durante uma viagem

Taisa Sganzerla, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2013 | 02h18

No fim de 2011, o advogado israelense Guy Michlin viajava pela Grécia com a mulher. Depois de cair em uma série de armadilhas turísticas, o casal foi convidado, por um amigo de um amigo, para um jantar na casa de uma família no subúrbio de Herraclião, a maior cidade da Ilha de Creta. "Eles deram dicas de lugares e restaurantes para conhecer e eu ainda ganhei uma garrafa de uma bebida típica de Creta", conta Guy.

De volta a Tel-Aviv, ficou evidente que aquele jantar tinha sido o melhor momento da viagem. Foi daí que veio a ideia de criar uma maneira de fazer com que qualquer pessoa pudesse ter uma experiência semelhante. E então surgiu o Eat With.

Funciona assim: quem quer cozinhar cria um perfil no site, com uma descrição de si mesmo, um cardápio e algumas fotos. Os interessados escolhem os eventos dos quais querem participar, fazem a reserva e aguardam a confirmação.

O anfitrião ( host) define um preço pela refeição - desse valor, 15% ficam com o Eat With, como comissão. A inspiração do modelo de negócio veio do AirBnb - serviço de anúncios de aluguel de quartos ou casas para viajantes.

O Eat With começou com um projeto piloto, em Barcelona, em 2012. Hoje, tem mais de 300 anfitriões em 20 países - 13 deles no Brasil, dos quais 7 em São Paulo, 5 no Rio e 1 em Ribeirão Preto. Segundo Fábio Hofnik, embaixador do Eat With no País, mais de 90 inscrições, vindas de cidades como Florianópolis, Recife e Brasília, aguardam o aval da direção. Todos os interessados em receber fazem u m jantar teste com a presença de Fábio. "Checamos se o ambiente é agradável, se a pessoa tem o perfil adequado e se gosta de receber pessoas em casa."

A primeira refeição do Eat With no Brasil foi na casa da cozinheira Silvia Corbucci, em junho. Ela preparou um brunch para nove pessoas, na Vila Mariana. Silvia trabalha com educação alimentar e costuma receber amigos em casa. "Não é só a refeição. É uma experiência de troca, de conhecer as pessoas de um país e o que elas comem em suas casas. Um restaurante raramente oferece isso."

Outra anfitriã é Julia Reis, consultora em comunicação e sócia da cervejaria-escola Sinnatrah, onde recebeu um grupo de 11 americanos para uma harmonização de cervejas brasileiras com pratos típicos. Ela aposta que o Eat With vai virar mania também entre paulistanos. "São Paulo já oferece muitas atrações para quem visita a cidade pela primeira vez. Mas para quem já mora aqui ou já conhece bem a cidade, o Eat With é um achado."

Outra viagem. O MealSharing também surgiu em 2012 e foi igualmente inspirado por uma experiência de viagem. Jason Savsani, americano de Chicago, decidiu criá-lo depois de jantar na casa de uma família em Siem Rep, no Camboja. "Compartilhar uma refeição em casa é uma das coisas mais íntimas que se pode fazer. Mas é difícil obter esse contato durante uma viagem. Daí surgiu a ideia de fazer a ponte", conta Jason.

A diferença é que no MealSharing tudo é de graça. Ou seja, se o Eat With é o AirBnb da comida, o Meal Sharing é o Couch Surfing - rede social que permite que viajantes se hospedem, de graça, nas casas uns dos outros. Segundo Ainara Del Valle, uma das coordenadoras da rede, os públicos são diferentes. "O Eat With foca em anfitriões muito habilidosos, quase profissionais. Nossa filosofia é mais inclusiva, é 'faça o que você faria para você'."

No Brasil. O engenheiro André Melman fundou, neste ano, o Farofa.la, uma plataforma semelhante, que tem como particularidade o foco em aproximar o consumidor do produtor independente e ambos prepararem a refeição juntos.

Um dos hosts, o biólogo e pesquisador Renato Inácio, vive em Piracaia e leva os convidados para conhecer pequenos produtores da região. "Depois, todos preparam juntos um almoço com os ingredientes de cada um deles", conta André.

A exemplo das outras duas redes, ele também teve a ideia durante uma viagem, quando trabalhou por três meses em uma fazenda de orgânicos em Israel. "Os produtores ficam invisíveis para quem mora nas cidades grandes. Queremos conectar quem se interessa em conhecer a origem de um ingrediente com quem o produz."

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