Aparecem pouco, mas decidem

Quarteto que briga pelo título tem zagueiros coadjuvantes que se tornaram protagonistas em muitas ocasiões

, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2009 | 00h00

Os norte-americanos elegem, anualmente, na festa do Oscar, o melhor filme, o roteiro, o diretor, o ator... E, com destaque, o ator coadjuvante. Como diz o próprio nome, ele não é o astro do espetáculo, mas tem papel decisivo para o sucesso do filme. No futebol a história não é diferente. Os quatro postulantes ao título brasileiro têm seus astros. Mas é inegável a importância de alguns nomes menos badalados, menos conhecidos do grande público.

Quem não conhece Rogério Ceni e Hernanes, do líder São Paulo? O goleiro e o volante são os que mais brilham no elenco tricolor - além dos bons André Dias e Miranda. Mas um personagem modesto, não tão querido pela torcida, vem crescendo na reta final. Trata-se do zagueiro Renato Silva, contratado no início do ano do Botafogo. Começou mal, falhou em alguns jogos, mas conquistou espaço, virou titular e teve participação destacada em jogos como na vitória por 1 a 0 sobre o Barueri, no Morumbi. "O treinador sempre me deu confiança", comenta o atleta, referindo-se a Ricardo Gomes. Renato Silva terá, amanhã, difícil missão, ao lado de André Dias e Rodrigo: parar o bom ataque do Goiás, que tem Iarley e Fernandão.

História curiosa tem o também zagueiro Álvaro. Desde a aposentadoria de Fábio Luciano, depois da conquista do Carioca, o Flamengo sofria com problemas na defesa. Não conseguia encontrar um parceiro para Ronaldo Angelim. A chegada de Álvaro, junto de Petkovic e Maldonado, ajudou na arrancada do clube no Brasileiro. Pouco aproveitado no Internacional, Álvaro, de 32 anos, consolidou a defesa rubro-negra e virou um "xerifão". "Jogadores experientes são sempre importantes em uma equipe. Eles orientam os mais jovens e dão confiança", opina Álvaro, fazendo alusão à contratação do trio de veteranos pelo Flamengo, no meio da temporada.

Revelado pelo São Paulo em 1997, o zagueiro passou por América-MG, Goiás, Atlético-MG, além dos clubes espanhóis Las Palmas, Real Zaragoza e Levante, antes de chegar ao Inter no ano passado. Campeão da Copa Sul-Americana em 2008 e vice da Copa do Brasil deste ano, Álvaro perdeu espaço no elenco colorado com o técnico Tite e a contratação de Fabiano Eller. Pediu a rescisão e mudou-se para a Gávea. Decisão que vem rendendo frutos ao clube dentro e fora do gramado. "Vivo para o grupo, sei que não vou aparecer muito para os que estão fora." Amanhã deverá aparecer bastante na televisão. Terá de marcar ninguém menos do que o Fenômeno Ronaldo.

No terceiro colocado, o Inter, quem ganhou força recentemente foi o curinga Bolívar. O zagueiro campeão da Libertadores de 2006 pelo clube gaúcho foi negociado com a Europa, voltou e andava em baixa. Até que aos poucos conquistou uma posição entre os titulares. Primeiro na lateral-direita, depois na zaga. Hoje é considerado peça fundamental no esquema do polêmico Mário Sérgio.

O Palmeiras caiu muito, é verdade, mas ainda está na briga. E deve boa parte de seus pontos ao zagueiro Danilo, bem menos badalado do que Diego Souza e Vágner Love. O jogador tem prestígio com a torcida, que o considera "guerreiro", e terminará a temporada como vencedor, mesmo que o Palmeiras não fique com o título.

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