Aparecida tem bloqueios e revistas

Soldados e policiais militares bloquearam nesta terça-feira, 23, as entradas de Aparecida e revistaram motoristas e cada canto do Santuário Nacional, onde fica a Basílica Nacional. A Polícia Rodoviária Federal não descartava ontem nem fechar a Via Dutra, principal ligação entre São Paulo e o Rio, caso o papa precisasse aterrissar em São José dos Campos e seguir pela estrada por 83 km até Aparecida.

DIEGO ZANCHETTA E EDISON VEIGA, Agência Estado

24 de julho de 2013 | 07h53

Por todos os cantos soldados revistaram mochilas e exigiram a identificação de quem se aproximava da basílica. Até bairros pobres e afastados da região onde ficam os hotéis foram ocupados pelo Exército.

Na entrada da cidade, motoristas eram parados e soldados revistavam, com a ajuda de espelhos, até a parte de baixo dos veículos. Todos eram obrigados a informar para onde iam. "Não podemos fazer feio com o papa, é justo que se faça isso", respondeu o aposentado Jaime Rizzo, de 65 anos, padeiro de Aparecida, que teve sua Kombi revistada ao voltar para casa. "Estava em Caçapava (cidade vizinha), visitando minha tia."

No ar, três helicópteros da PM e dois da Aeronáutica vão ajudar a monitorar o fluxo de trânsito e a vigilância no entorno da Basílica. No mirante do Santuário, a mais de 30 metros de altura, cerca de 40 agentes da PF e integrantes da inteligência das Forças Armadas monitoram as ruas por meio de 100 câmeras. "Aqui é o nosso mirante, chamamos esse local de ?olho da águia?. Conseguimos daqui uma visão panorâmica de toda a cidade e da basílica", afirma o general William Abraão, comandante da 12ª Brigada de Infantaria Leve Aeromóvel e da operação de segurança.

As chances são grandes de a visita papal ser alvo de novas manifestações. Isso porque na madrugada de ontem pelo menos oito ônibus lotados devem sair de São Paulo rumo a Aparecida - não para rezar, mas para protestar. "Será uma manifestação pacífica, cobrando coerência do discurso do papa em relação aos ataques que os pobres brasileiros vêm recebendo dos políticos e da polícia", afirmou Guilherme Boulos, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

O MTST vem articulando a manifestação em parceria com o Movimento Periferia Ativa e a Resistência Urbana - Frente Nacional de Movimentos. Em manifesto divulgado na internet, os grupos dizem que os discursos de Francisco são um avanço, por se lembrarem de uma "Igreja pobre e para os pobres", mas eles enfatizam que se faz necessária "coerência prática".

O arcebispo emérito de São Paulo, d. Claudio Hummes, defendeu o direito do povo de ir as ruas e afirmou que o papa "saberá dar respostas concretas ao povo". O cardeal arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, disse acreditar serem grandes as possibilidades de manifestações e espera "bom senso do povo para que tudo ocorra de forma pacífica". O cardeal de Aparecida e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, d. Raymundo Damasceno, afirmou que o papa "não está preocupado com protestos". As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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