Apenas 21 unidades crescem acima de meta para 2021

Escolas classificadas como excelentes representam 0,1% do total de unidades entre a 5º e a 8º séries

O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2012 | 03h06

Apenas 21 escolas de 5.ª à 8.ª séries de todo o Brasil podem ser classificadas como Excelentes, segundo a metodologia da Meritt Informação Educacional. Isso significa que apenas 0,1% das unidades de ensino desta fase cresceram no Ideb, ficaram acima da meta e também com nota superior a 6, o objetivo do País.

No primeiro ciclo, de 1.ª à 4.ª série, a situação é bem melhor. Há no Brasil 3.840 escolas com nível Excelentes, o que representa 11% do total.

A separação por nível não significa dizer que a escola é de excelência no aprendizado, mas, sim, que ela tem feito um ótimo trabalho. Além disso, segundo Alexandre Oliveira, da Meritt, cria uma pressão boa para que escolas continuem evoluindo. "O que uma escola que avançou na nota, está acima de seis, deve fazer? Ela deve subir ainda mais", diz.

Além de pressionar as escolas a manterem um comportamento de contínua melhoria, essa classificação expõe escolas, cidades e municípios que se valem do tímido cálculo para evolução das metas.

Quando o Ideb foi criado, em 2007, as metas até 2021 já foram traçadas para as escolas, cidades, Estados e para o Brasil. Mas elas também variam entre si. Apesar da meta para o Brasil como um todo ser 6, a meta da rede pública, por exemplo, é de 5,7 para 2021. "E essa nota 6 é a média que os países ricos tinham em 2007, quando foi criado o Ideb", completa Oliveira.

Como as metas não são recalculadas a cada edição, algumas escolas, Estados e municípios ficam acima desse parâmetro sem obter nenhum avanço. A Escola de Aplicação da USP, em São Paulo, por exemplo, aparece em primeiro no Estado, com nota acima da meta, mas apresentou queda no Ideb entre 2009 e 2011.

Azuis. De tão pequenas, é quase impossível ver as faixas azuis de Excelente no gráfico que se refere a essa fase. O Estado com maior número de escolas nessa faixa é São Paulo, com 7 escolas - 0,1% do total do Estado. No ensino fundamental 1, no qual as faixas azuis são mais presentes, Santa Catarina é a primeira, com 32% das escolas de 1.ª à 4.ª série como excelentes.

Segundo a professora Maria do Pilar Lacerda, ex-secretária de Educação Básica do MEC, é necessário se "inspirar" nos anos iniciais do fundamental, no formato multidisciplinar dessa fase. "Se não houver um projeto radical para o ensino fundamental 2, vai chegar a mais um Ideb e os alunos continuarão sem saber o que precisam".

Pilar defende o debate do índice à luz do novo Plano Nacional de Educação (PNE), que traça metas de resultados e investimentos para a área e está em trâmite no congresso.

Ela defende que seja mantido o objetivo de reservar 10% do PIB para a educação. "É preciso saber que educação de qualidade custa muito caro."

O governo tenta derrubar os 10% aprovado pela Câmara, mas que ainda pode ser alterado. O próprio ministro da Educação, Aloizio Mercadante, não luta pelo porcentual e diz que o País não tem condição de se comprometer com essa prioridade. / P.S.

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