Apenas 30% aprovam comunicação com médico

Mas índice de confiança no médico e disposição para recomendá-lo são maiores que a média mundial, diz pesquisa

KARINA TOLEDO, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2010 | 00h00

Apenas 30% dos brasileiros consideram que a comunicação entre médicos e pacientes é muito boa ou excelente. No entanto, 70% afirmam confiar no profissional que os atende e 53% o recomendariam a outra pessoa.

Os dados são de uma pesquisa realizada em 23 países sob coordenação da Worldwide Independent Network of Market Research, uma rede global de pesquisa de mercado. Foram entrevistadas mais de 22 mil pessoas. No Brasil, o Ibope ouviu 1.373 pessoas com mais de 16 anos, de todas as classes sociais.

Os índices brasileiros de confiança no médico e recomendação ficaram acima da média mundial - de 67% e 44% respectivamente. Mas para José Luiz Amaral, presidente da Associação Médica Brasileira, é preocupante o fato de apenas 30% considerarem a comunicação com o médico muito boa ou excelente. "Por pressão dos gestores públicos e dos convênios, os médicos acabam tendo de fazer consultas de 15 minutos. É impossível estabelecer uma relação de confiança, uma verdadeira troca de informações em tão pouco tempo."

Outro fator que explica por que o índice de recomendação não é maior, diz Amaral, é que a maioria dos brasileiros não tem liberdade de escolha. "Ou ele procura o médico que o convênio apresenta ou aquele que está disponível no ambulatório público. Poucos podem escolher um profissional de confiança e isso é fundamental para a relação entre médico e paciente."

Para a diretora do Ibope, Laure Castelnau, um dado surpreendente foi o número pequeno de pessoas que consideram sua saúde muito boa ou excelente. "A média mundial foi de apenas 33%. No Brasil, o índice é ainda mais baixo: 26%." A hipertensão foi o principal motivo que levou os brasileiros ao médico. Em segundo lugar vieram dores musculares.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.