Apesar da agressão, cubano diz que cumprirá missão

Médicos da ilha foram chamados de 'escravos' e 'incompetentes' por colegas brasileiros no Ceará

LAURIBERTO BRAGA, ESPECIAL PARA AE, Agência Estado

27 de agosto de 2013 | 18h53

"Fomos agredidos, mas vamos cumprir nossa missão aqui no Brasil de atender bem a população carente", disse assustado, nessa terça-feira, 27, um dos 70 médicos cubanos hostilizados por colegas cearenses, na noite de segunda-feira, na saída da aula inaugural do treinamento de 96 médicos formação estrangeira, na Escola de Saúde Pública do Ceará, em Fortaleza.

Os cubanos foram chamados de "escravos" e "incompetentes" e tiveram que passar por um corredor humano, onde os cearenses gritaram palavras de ordem como "Revalida", "Incompetentes" e "Voltem para senzala".

"Aceitei vir para o Brasil para ajudar a população, mas agora só pretendo ficar os três anos da missão e voltar a Cuba. Tão logo termine o trabalho no Brasil retorno a Cuba, porque é em Cuba que tenho meu trabalho e minha família", afirmou o médico, que pediu para não ser identificado com medo de mais represália dos cearenses.

Segundo ele "nós somos trabalhadores da saúde que lutamos pelas pessoas enfermas que procuram melhorias na sua saúde". O cubano antes de vir para o Brasil passou quatro anos em missão no Haiti.

O secretário nacional de gestão estratégica e participativa do Ministério da Saúde, Odorico Monteiro também foi agredido pelos cearenses. "O que eles fizeram foi um ato de truculência, violência, racismo, xenofobia e preconceito", reclamou. Odorico levou ovo na jaleco que vestia do Sistema Único de Saúde (SUS) e foi seguido pelos manifestantes até o carro com gritos de "Fora Odorico".

Tudo o que sabemos sobre:
Mais Médicosagressão a cubanos

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.