Apesar da repressão, protestos continuam por toda a Síria

Protestos contra o presidente Bashar al-Assad voltaram a ocorrer em várias áreas da Síria nesta sexta-feira, apesar da repressão militar e de uma promessa de que um primo bilionário de Assad, alvo da ira dos manifestantes, iria renunciar a seu império empresarial.

KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

17 Junho 2011 | 11h29

Ativistas dizem que dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas na província de Deraa, no sul do país --berço da revolta que já dura três meses contra o regime de Assad--, e também na região curda, no leste da Síria; nas cidades de Homs e Hama, ao norte de Damasco, e em subúrbios da própria capital.

A sexta-feira, dia de descanso e oração para os muçulmanos, tem sido uma plataforma para grandes protestos na Síria, resultando em violência. O levante é inspirado nas rebeliões em vários países do mundo árabe, incluindo Egito e Tunísia, onde os governos foram derrubados.

Moradores dizem que duas cidades no norte da Síria permanecem cercadas por unidades militares, cinco dias depois de o Exército ter retomado o controle da localidade rebelada de Jisr al-Shughour. Milhares de pessoas buscaram refúgio na vizinha Turquia.

Entidades sírias de defesa de direitos afirmam que 1.300 civis e mais de 300 soldados e policiais foram mortos desde o início dos protestos, em março contra os 41 anos de regime da família Assad.

Assad vem respondendo aos protestos com um misto de repressão militar e gestos políticos para atender ao descontentamento dos manifestantes.

Na quinta-feira, a mídia estatal informou que um primo dele, o bilionário Rami Makhlouf, que os manifestantes apontam como símbolo da elite corrupta, estava deixando os negócios e entregando sua gestão a entidades beneficentes.

Makhlouf controla uma série de negócios, incluindo a principal operadora de telefonia celular na Síria, lojas duty free, concessão de exploração de petróleo, hotel, companhia aérea, atividades no ramo da construção e ações em pelo menos um banco

(Reportagem adicional de Mariam Karouny e Yara Bayoumy em Beirute, Tulay Kardeniz em Guvecci)

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