Apesar de ações, trote violento resiste

Mesmo com a promoção de atividades solidárias e de integração, prática ainda é encontrada em grandes universidades do País

Felipe Mortara, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2011 | 00h00

Como é comum em todo início de ano, em meio ao período de matrículas e primeiros dias de aula nas grandes universidades do País, o tema do trote violento voltou à tona. Após a divulgação das listas de aprovados, começaram a surgir as denúncias de abusos, excesso de álcool, agressões. Da parte de veteranos, o argumento é a integração e a criação de um orgulho pela faculdade. Já pelo lado dos novatos, a vontade de celebrar por ter atingido um objetivo tão cobiçado é o que motiva a participação nas "atividades". Entre os dois, um limite tênue.

 

Hábito enraizado na cultura universitária brasileira, o trote é defendido como uma tradição que, ainda que combatida no discurso dos diretores das instituições de ensino superior, parece ser mais difícil de evitar do que as universidades afirmam.

 

A prática cessou na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) nos anos seguintes à morte do calouro Edison Hsueh, em 1999. Desde então, diversas outras instituições ainda lutam para não perder o controle da recepção dos novos alunos. Atividades integradas, trotes solidários, palestras e shows patrocinados estão entre as medidas adotadas por universidades de todo o País. No entanto, alguns casos de trotes violentos persistem, como é o caso do estudante de Agronomia da USP Felipe Yarid.

 

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