Apesar de alta da Selic, prevalece saída de recursos e dólar sobe ante real

O dólar fechou em alta ante o real nesta quinta-feira, influenciado por operações de saída de recursos do Brasil, apesar de o aumento dos juros anunciado pelo Banco Central na véspera vir acima do que parte do mercado esperava.

BRUNO FEDEROWSKI, Reuters

16 de janeiro de 2014 | 17h19

O movimento veio em linha com o fortalecimento da moeda dos Estados Unidos no exterior, dando continuidade ao avanço da véspera, após dados positivos alimentarem expectativas com a recuperação da economia norte-americana.

A divisa subiu 0,35 por cento, para 2,3657 reais na venda, afastando-se do piso de resistência de 2,35 reais. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,2 bilhão de dólares.

"À medida que o (volume do) mercado de câmbio ganhou um pouco de força, veio um fluxo (de saída) e o dólar firmou a alta", afirmou o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues.

O dólar chegou a cair no início dos negócios, atingindo 2,3447 reais na mínima do dia. A expectativa era de maior ingresso de capitais devido a busca de investidores por maiores rendimentos após o BC brasileiro elevar a Selic em 0,5 ponto, para 10,5 por cento ao ano.

Mas o movimento durou pouco e a moeda norte-americana retomou a trajetória de alta, em linha com o exterior. "A gente percebe que muitos estrangeiros estão comprando dólares, tanto aqui quanto lá fora. Em parte, é um movimento global", afirmou o operador de um importante banco internacional.

O avanço da divisa dos EUA acompanhava o arrefecimento das dúvidas a respeito da recuperação da economia norte-americana, depois de uma série de dados positivos divulgados nesta semana. Os números sugerem que o Federal Reserve, banco central do país, tem margem para reduzir seu estímulo mais rapidamente do que o previsto, enxugando a oferta global de liquidez.

O número de norte-americanos que entraram com novos pedidos de auxílio-desemprego na semana passada recuou pela segunda semana seguida, segundo o Departamento do Trabalho dos EUA. O resultado somou-se às evidências de que a desaceleração do mercado de trabalho vista em dezembro deve ser temporária.

O dado contribuiu para o dólar subir em relação a diversas moedas de perfil semelhante ao real. O dólar australiano, por exemplo, recuava para a mínima em três anos e meio contra a moeda norte-americana. Frente ao peso chileno, a divisa dos EUA ganhava cerca de 0,7 por cento.

No mercado de câmbio brasileiro, a constante atuação do BC brasileiro ajudou a limitar a alta do dólar. A autoridade monetária vendeu a oferta total de 1 mil contratos de swap cambial com vencimento em 2 de maio e 3 mil contratos com vencimento em 1º de setembro deste ano. O leilão teve volume financeiro equivalente a 198,3 milhões de dólares.

Além disso, o BC deu início a rolagem dos swaps que vencem em fevereiro, vendendo a oferta total de 25 mil contratos. Com isso, rolou cerca de 11 por cento do lote total, equivalente a 11,028 bilhões de dólares.

Mais conteúdo sobre:
DOLARFECHAFINAL*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.