Apesar de embargos, indústria de carne bovina vê crescimento em 2013

As exportações brasileiras de carne bovina são previstas para fechar o ano com recorde em faturamento e o setor espera manutenção do crescimento em 2013, apesar das restrições de alguns importadores após a descoberta do caso atípico de vaca louca no país, informou a associação que reúne a indústria nesta quinta-feira.

Reuters

20 Dezembro 2012 | 16h58

"Os mercados mais relevantes para a carne bovina continuam abertos e o fluxo de exportação tende a continuar positivamente. Uma recuperação econômica das grandes economias pode ajudar o crescimento da demanda", disse a Associação Brasileira dos Exportadores de Carne (Abiec) em comunicado.

Desde que o Brasil confirmou a descoberta da proteína príon, causadora da Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), em animal morto em 2010, no Paraná, seis países já impuseram restrições totais ou parciais à carne bovina do Brasil.

"As vendas continuarão aumentando com a demanda dos principais mercados... é uma tendência que começou em 2012 e continuará", disse Fernando Sampaio, diretor executivo da Abiec.

Segundo a entidade, o impacto comercial dessas restrições é pouco relevante, uma vez que estes mercados juntos representaram 4,42 das exportações totais do país até novembro.

O executivo reforçou que a prioridade da indústria é reverter os embargos impostos à carne bovina, especialmente, pela China e Arábia Saudita.

"Entre estes países (que embargaram), a Arábia Saudita é o mais importante", disse Sampaio, ressaltando que o adido agrícola do Brasil em Genebra deve seguir para o país do Oriente Médio a fim de esclarecer a questão sobre o caso atípico da doença.

No caso da China, embora o país ainda tenha baixa participação na pauta de exportações, de pouco mais de 1 por cento sobre o volume faturado pelo Brasil, o país é considerado de grande importância para o setor por seu potencial de consumo no futuro.

2012

A Abiec estima que o setor encerrará o ano com faturamento recorde de 5,8 bilhões de dólares, ante os 5,37 bilhões de dólares obtidos com as vendas externas em 2011.

A estimativa é de embarques de 1,26 milhão de toneladas em 2012, incremento de 14,5 por cento sobre 2011, em movimento que marca a reversão após três anos seguidos de queda.

"O resultado poderia ter sido ainda melhor, mas a conjuntura macroeconômica de recessão provocou uma ligeira diminuição no preço médio da carne exportada", apontou a Abiec.

Segundo a Abiec, considerando os dados compilados até o momento, o Brasil deverá retomar o posto de maior exportador mundial de carne bovina em 2012.

No ano passado, os Estados Unidos ultrapassaram o Brasil em volume exportado, por conta de questões de câmbio e um excesso de matéria-prima ocasionado pela seca, que levou ao abate de animais nos Estados produtores norte-americanos.

(Reportagem Fabíola Gomes)

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