Apesar de melhorias, Nova Orleans continua vulnerável a furacões

Engenheiros estimam que cidade só estará totalmente protegida em 2011.

Bruno Garcez, BBC

28 de agosto de 2007 | 06h27

Desde que o Katrina atingiu em cheio Nova Orleans, causando a inundação de 80% da cidade e danificando mais de 200 mil casas em 2005, os engenheiros do Exército americano vêm promovendo uma série de obras para tornar a cidade mais segura contra possíveis furacões. Mas, a despeito de melhorias, como portões para conter possíveis enchentes e barragens mais altas e sólidas do que as que cederam com a força das enchentes causadas pelo Katrina em 2005, a cidade segue vulnerável contra um furacão de grandes proporções. E os engenheiros militares estimam que só será possível concluir todos os trabalhos necessários para que Nova Orleans resista a um furacão de impacto máximo - a chamada categoria 5 - em 2011.Os técnicos militares promoveram uma simulação feita em computador para avaliar a pior tempestade que poderia acometer a cidade em 100 anos e chegaram à conclusão de que os recursos necessários para a prevenção só se darão plenamente em quatro anos. Simulações semelhantes já foram feitas em outros locais vulneráveis a enchentes como a Holanda, por exemplo, que tem um quarto de seu território abaixo do nível do mar e aposta em uma esquema de barragens, dunas e diques para se proteger de inundações.Em entrevista à BBC Brasil, o tenente-coronel Murray Starkel, diz que ''''com certeza, ainda existem riscos'''' desde agora até 2011, mas, acrescenta, ''''a cada dia estamos ampliando a nossa proteção, aumentando a altura das barragens, criando barreiras mais resistentes''''. Os militares enfrentaram fortes críticas após o Katrina, pois foram eles os responsáveis pela edificação das barragens que cederam com a força do furacão em agosto de 2005. Muitas delas foram edificadas em solos úmidos, característicos das regiões de pântano que circundam o estado da Louisiana e que contribuíram para que as barreiras se soltassem. ''''Os solos aqui são um desafio, mas um desafio que agora estamos aptos a enfrentar. Estamos procurando fincar os bloqueios de forma mais profunda e em solos mais resistentes'''', afirma StarkelMeses após a tragédia, o então comandante do Corpo de Engenheiros do Exército renunciou ao cargo e admitiu que sua entidade cometeu ''''falhas catastróficas''''.O jornalista Mark Schleifstein, do jornal de Nova Orleans Times Picayune e co-autor do livro Path of Destruction, sobre o impacto do Katrina e outras tempestades tropicais, diz que não resta outra opção aos moradores de Nova Orleans do que a de confiar nos engenheiros do Exército. ''''Não temos outra escolha. Eles são os únicos que estão fazendo alguma coisa, promovendo estudos com o auxílio de especialistas e da iniciativa privada. Os portões que impediriam a entrada da água e que foram construídos recentemente parecem muito bem projetados'''', afirma Schleifstein. Ele lembra que o Estado da Lousiana impôs como norma a empresas de construção da cidade que as novas casas e edifícios a serem erguidos ou restaurados precisam ser capazes de resistir a ventos com velocidade de entre 130 a 150 milhas por hora (aproximadamente 209 a 241 quilômetros por hora). Schleifstein, que escreve sobre os impactos ambientais do Katrina, afirma que o furacão destruiu um total de 518 quilômetros quadrados de terrenos pantanosos, que são capazes de mitigar os efeitos de uma tempestade tropical. Mas o autor afirma que o Estado está investindo em um projeto que visa transpor águas do Rio Mississippi para criar novas regiões pantanosas, que poderiam absorver o impacto de chuvas de grande proporção.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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