Aaron P. Bernstein/Reuters
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Apesar de revés eleitoral, Tea Party mantém influência nos EUA

Candidatos do movimento conservador atrapalharam esforços do Partido Republicano para conquistar controle do Senado

Reuters

08 de novembro de 2012 | 10h55

WASHINGTON - Os candidatos do movimento conservador Tea Party atrapalharam os esforços do Partido Republicano para conquistar o controle do Senado dos EUA, mas o grupo deve manter nos próximos anos sua influência em Washington a respeito de questões fiscais, mas não sociais, disseram especialistas na quarta-feira.

Se não fosse pelo mau desempenho de alguns candidatos a senador apoiados pelo Tea Party nas eleições de 2010 e 12, o Partido Republicano poderia ter maioria no Senado. Na eleição de terça-feira, Todd Akin, do Missouri, e Richard Mourdock, em Indiana, simbolizaram a derrocada do Tea Party, como já ocorrera em 2010 com Sharron Angle (Nevada) e Christine O'Donnell (Delaware).

Enquanto isso, na Câmara, a líder da bancada do Tea Party, Michelle Bachmann, escapou por pouco de não ser derrotada, mas colegas seus como Allen West e Joe Walsh não tiveram a mesma sorte. "O Tea Party acabou", celebrou o Comitê de Campanha Parlamentar Democrata. Mas a declaração pode ter sido precipitada, já que os republicanos dão todos os sinais de que irão manter seus esforços para impedir a elevação de impostos, inclusive para os ricos, e limitar os gastos públicos - filosofias centrais que o partido partilha com o Tea Party.

Na terça-feira, após a confirmação de que o democrata Barack Obama havia sido reeleito presidente e de que o partido dele ampliara a maioria no Senado, o presidente da Câmara, o republicano John Boehner, proclamou que Obama não tem mandato para elevar os impostos dos ricos.

Os republicanos, que já haviam conquistado maioria na Câmara dos Deputados em 2010, graças a expressivas vitórias do Tea Party, conseguiram preservar o controle da Casa. Assim, quando se trata de questões orçamentárias e tributárias, os líderes republicanos no Congresso talvez precisem continuar atendendo às demandas do Tea Party.

"Boehner ainda precisa ficar de costas para a parede com esse pessoal", disse Stephen Hess, pesquisador do Instituto Brookings que acompanha a atividade do Congresso.

Ron Bonjean, ex-assessor de líderes republicanos na Câmara e no Senado, acrescentou: "Se você é o presidente da Câmara, vai adotar a posição mais rigorosa possível que reflita a conferência republicana. E é improvável que recue dessa posição a não ser que o presidente Obama apareça com concessões."

Hess também observou que o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, que tem mandato até 2015, precisará enfrentar desafiantes do Tea Party numa eleição primária para conseguir se reeleger. O mesmo vale para outros senadores do partido, segundo analistas.

Por isso, disse Hesse, esses políticos precisarão passar os próximos dois anos cortejando o Tea Party. O caso do senador Richard Lugar, que não conseguiu chapa para disputar a reeleição pelo Partido Republicano em Indiana, mostra que ignorar a ala conservadora pode ser perigoso.

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