Apesar de tensões, tucanos e democratas vêem aliança no 2o turno

A seis dias da eleição, tucanos e democratas mantêm a disposição de fechar um acordo para disputar o segundo turno em São Paulo, tendo pela frente a petista Marta Suplicy. Tensões e bate-bocas serão superados, afirmam. O PSDB não admite, no entanto, que a aliança já esteja fechada a favor do prefeito Gilberto Kassab (DEM), antes mesmo do resultado das urnas. Esta versão emergiu depois que Kassab ultrapassou o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) pela primeira vez nas pesquisas de intenção de voto divulgadas no fim de semana. Pelo Datafolha, Kassab está com 24 por cento e Alckmin, 20 por cento. No Ibope, o prefeito tem 25 por cento e o tucano os mesmos 20 por cento. Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, disse nesta segunda-feira à Reuters que, sem o resultado da eleição, ainda não há um debate concreto entre os dois partidos sobre a aliança no segundo turno. Ainda assim, acredita que há "uma lógica" em reportagem divulgada pela imprensa dando conta que o partido já decidiu apoiar Kassab. Mesmo assim, divulgou nota rebatendo as informações. Defensor da candidatura de Alckmin no partido, Guerra afirma que elevação de tom por parte do ex-governador contra Kassab não fecha as portas do DEM ao tucano, caso ele ultrapasse o primeiro turno. Já houve gestões diplomáticas entre os dois partidos para apaziguar os ânimos. O ex-senador e ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen, que participa das articulações da candidatura de Kassab, também citou a lógica, mas para apostar na aliança independentemente do candidato. "Os episódios de campanha estarão superados porque tanto o PSDB como o Democratas têm um adversário comum que é o PT. A lógica é que os dois se somem e os episódios de campanha serão superados", afirmou. Ele citou ainda o PPS como outra legenda que deve se somar à coligação em São Paulo, hoje concorrendo com a vereadora Soninha Fancine. Kassab, que já trabalha com tucanos na gestão da cidade, apostou mais uma vez na aliança. "Evidente que eu queria cumprimentar todos os dirigentes do PSDB e do Democratas que têm essa linha de raciocínio (do acordo). É evidente que vamos estar no segundo turno trabalhando juntos. Nós temos o adversário em comum que é o PT", disse o prefeito a jornalistas após caminhada no bairro do Bom Retiro, região central da cidade. Alckmin foi ainda mais genérico. "No segundo turno, eu quero o voto de todos os eleitores, se estiver na disputa", disse ele a jornalistas após caminhada pelo bairro da Mooca, zona leste da cidade. Com o objetivo de acalmar os ânimos dos dois partidos, um tucano que apóia Kassab propôs um período de silêncio aos partidos até domingo, data da eleição, deixando a campanha apenas para os candidatos. "Para permitir a recostura das legendas", disse. (Reportagem de Carmen Munari e Maurício Savarese)

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