Aplicadores reagem à taxa de administração

Em maio, os aplicadores retiraram recursos dos fundos DI, cuja remuneração está baseada na taxa Selic, e reforçaram os depósitos nas cadernetas de poupança. Uma reação positiva, e inesperada, ao corte progressivo do juro básico e à mudança das regras das cadernetas.

10 de junho de 2012 | 04h42

A captação líquida das cadernetas atingiu R$ 6,2 bilhões, a maior desde dezembro, quando, sazonalmente, os depósitos são mais elevados. Os depósitos feitos desde 4 de maio são remunerados à razão de 70% da taxa básica de juros mais a TR, sempre que o juro básico for igual ou inferior a 8,5% ao ano. Os saldos até 3 de maio continuaram remunerados em 0,5% ao mês mais a TR. Os temores de saques expressivos nas cadernetas rapidamente se desfizeram, mostrando que os aplicadores continuam confiando na poupança.

Mas, em maio, os saques líquidos de R$ 6,7 bilhões nos fundos DI, divulgados anteontem pela Associação das Instituições dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), revelam onde se deu o impacto provocado pelas novas regras da poupança.

Quando as regras dos depósitos de poupança foram anunciadas, despertaram maior interesse pela remuneração líquida das aplicações em fundos DI, que depende das taxas de administração cobradas pelos administradores dos fundos.

Ainda há muitos fundos que cobram 2% a 3% ao ano - ou mais - sobre os saldos aplicados. São taxas elevadas. Se a taxa de administração for de 2%, corresponde a 25% de uma taxa Selic de 8% ao ano. Se adicionar o IR de no mínimo 15% sobre a renda, o rendimento líquido é inferior ao da caderneta e à inflação.

Um exemplo permite constatar a importância da taxa de administração sobre uma aplicação de R$ 10 mil num fundo DI, por 10 anos, com juros de 8,16% ao ano e sujeita ao IR de 15%: o valor final será de R$ 18.357,00, se a taxa de administração for de 1% ao ano, e de apenas R$ 15.355,00, se a taxa for de 3% ao ano - uma diferença de mais de R$ 3 mil, calculou o consultor Marcelo d'Agosto.

Como declarou ao Estado (7/6) o professor do Insper Ricardo José de Almeida, "se um fundo tradicional, como o DI, tem taxa de administração de 1,5% ou superior, a caderneta tem rentabilidade melhor". Muitos aplicadores já perceberam isso, constatou ele.

A queda dos juros deverá, portanto, provocar uma queda mais forte do que a que já ocorreu nas taxas de administração cobradas dos cotistas dos fundos - que, com frequência, são desproporcionalmente elevadas em relação à renda da aplicação.

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