Apoiar independência de Kosovo seria ilegal e imoral, diz Putin

Presidente russo critica planos de EUA e Europa de apoiar separação de província sérvia.

Da BBC Brasil, BBC

14 de fevereiro de 2008 | 19h30

O presidente russo Vladimir Putin afirmou nesta quinta-feira que seria ilegal e imoral a comunidade internacional reconhecer uma eventual declaração de independência da província sérvia de Kosovo."Nós achamos que o apoio a uma independência unilateralmente declarada por Kosovo é imoral e ilegal", disse Putin em uma entrevista coletiva, em Moscou. "A integridade territorial dos países é garantida pelos princípios básicos da lei internacional.""Vocês não têm vergonha na Europa de aplicar dois pesos e duas medidas para resolver problemas", acrescentou.Os Estados Unidos e diversos países europeus têm dado sinais de que pretendem reconhecer a independência de Kosovo. O assunto seria discutido nesta quinta-feira em uma reunião a portas fechadas do Conselho de Segurança da ONU, a pedido da Sérvia.O presidente russo rejeitou sugestões de que Kosovo seja um caso especial e argumentou que a província está na mesma categoria de outras causas ou conflitos separatistas, como Abecásia (Geórgia), Ossétia do Sul (Rússia) e Transdnístria (Moldova).Putin disse que a Rússia, tradicional aliada da Sérvia, não "imitaria" o Ocidente na sua posição em relação a Kosovo, mas indicou que Moscou não está disposta a tomar medidas drásticas em retaliação ao reconhecimento da independência de Kosovo."Se alguém tomar uma decisão ilegal e equivocada, nós não vamos fazer o mesmo", disse.BelgradoO governo sérvio também já deixou claro que não aceitará uma eventual declaração de independência pelas lideranças albanesas da província.A declaração é esperada para os próximos dias, antes de uma reunião da União Européia, na próxima segunda-feira, de forma que o bloco possa aproveitar o evento para reconhecer o novo Estado.Em um comunicado escrito, Belgrado antecipa que estarão anulados "atos e ações do governo interino de Kosovo que proclamem independência unilateral, porque elas violam a soberania e a integridade territorial da Sérvia".O embaixador sérvio na ONU disse que Belgrado não tomará nenhuma medida de retaliação contra Kosovo, caso a província, de fato, declare a sua independência. Por outro lado, o primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, disse que o seu país não aceitará ser humilhado por um Estado "fantoche"."Não haveria maior humilhação para a Sérvia se ela própria, mesmo indiretamente, aprovasse a existência dessa criação de um fantoche em seu território", disse Kostunica.O primeiro-ministro da Sérvia disse ainda que rejeitará "todas as decisões da União Européia para enviar uma missão (civil) a Kosovo".Missão européiaA União Européia já prepara o envio de uma missão com 1,5 mil policiais civis, além de 250 juízes, promotores e oficiais de alfândega, para assegurar a estabilidade em um novo e auto-declarado Estado de Kosovo. Um alto funcionário do bloco europeu disse à correspondente da BBC em Bruxelas, Oana Lungescu, que todos os integrantes da missão deverão estar em Kosovo até o início de junho.Os policiais e juízes deverão ser enviados por Alemanha e Itália, membros da União Européia, e por outros países, como Estados Unidos, Turquia, Croácia, Noruega e Suíça.A ONU tem administrado Kosovo desde 1999, quando uma campanha militar da Otan (aliança militar liderada pelos EUA) expulsou forças sérvias acusadas de perseguir a população albanesa, que é majoritária na província.Os comentários do presidente russo sobre Kosovo foram feitos em uma entrevista de quatro horas e 40 minutos, em que Putin disse não ver nenhuma "falha grave" no governo que encerrará com a escolha do seu sucessor, nas eleições de março.Putin também voltou a defender a idéia de que a Rússia não quer confrontação com os Estados Unidos e a Europa, mas que não hesitará em lutar pelos seus interesses. Crítico da ampliação da Otan no Leste Europeu e do projeto americano de construir um escudo antimísseis com instalações em países como República Checa e Polônia, Putin voltou a afirmar que a Rússia será forçada a agir contra os mísseis que mantém em países vizinhos se a sua segurança nacional for ameaçada.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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